Ericsson está imune à escassez de componentes até julho, pelo menos

A crise da escassez dos semicondutores, que pode ser agravada agora com consequências da guerra da Ucrânia e com novos lockdowns e paralisações na China por conta da pandemia, é um problema global, mas que ainda não chegou com tanto impacto na Ericsson no Brasil. Segundo presidente da fornecedora para o Cone Sul da América Latina, Rodrigo Dienstmann, há estabilidade pelo menos até o fim do semestre. Mas isso não afeta a busca por alternativas.

Em conversa com jornalistas nesta quinta-feira, 17, Dienstmann explicou que, pelo menos até o final do segundo trimestre, está com a produção em dia, entregando equipamentos para os clientes. "Mas todo dia eu tenho que olhar nosso relatório de supply, porque às vezes tem escorregos", diz, referindo-se a alguma peça específica. 

O executivo afirma que há agora falta de componentes simples, como um chip de fonte de energia. A Ericsson adotou a estratégia de estocar preventivamente, o que deu à companhia "relativo conforto". Mas o interesse agora é de se prevenir melhor, diversificando a matriz da cadeia de fornecimento. "Seja mudando o design, com opção de dois fornecedores [possíveis], ou com os próprios fornecedores modificando as cadeias para não haver dependência de uma ou outra geografia mais complexa."

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A fornecedora exporta 40% da produção na fábrica de São José dos Campos (SP). A previsão de Dienstmann é que haja demanda também no mercado interno, graças ao cumprimento de metas do 5G – mesmo no caso de as teles só conseguirem cumprir o mínimo das obrigações do leilão. Com as pequenas empresas, também há diálogos. "Estamos conversando com todos, inclusive com os que não compraram, mas que utilizarão rede neutra de outras", diz. 

Redes privadas

Além do 5G, as redes privadas são outro nicho no qual há oportunidades. Na visão da Ericsson, mesmo que o serviço não seja prestado pela operadora, há espaço para as teles. Até porque isso já está acontecendo com as redes que utilizam para o acesso cabo/fibra ou espectro não licenciado (WiFi). "Operadoras têm integradores, mesmo as que não têm mais serviço móvel, como a Oi. Mas Claro, TIM e Vivo fazem esse papel de integradora, que é bastante importante. Rede privada não é só acesso e nem só rádio."

Isso porque outros componentes da rede, especialmente com a chegada do 5G, poderão ser fornecidos pelas operadoras, como o data center na borda (edge), além do core, backhaul para escoamento de tráfego etc. Dienstmann diz que as teles têm vantagem na oferta e operação desse tipo de infraestrutura. Se, ainda assim, as empresas optarem por operar a rede privada sem uma tele, "a Ericsson estará presente" por meio de acordo com rede de integradores e oferta de equipamentos. O executivo diz que a empresa tem "a rota de acordo com o que o mercado exige".

Agora, o formato que essas redes privadas terá ainda é uma questão de escolha sobre o que está disponível. Por enquanto, Dienstmann coloca que há considerações sobre a faixa de 3,5 GHz e de 26 GHz com as operadoras. Para além das teles, a faixa específica para as redes privativas de 3,7 GHz "mudaria a configuração do mercado", por não evitar essa dependência. 

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