Para presidente da Claro, compra da Oi Móvel garante equilíbrio competitivo

Para José Félix, presidente do Grupo Claro no Brasil, a compra da Oi Móvel em oferta conjunta com a Vivo e com a TIM foi um movimento natural considerando o fato de que um quarto competidor estava colocando seus ativos à venda. "A gente de fato é a empresa que menos tinha necessidade de adquirir a Oi Móvel, porque tínhamos uma posição confortável de espectro, mas mas também não poderíamos deixar os concorrentes abrirem distância (em market share). É uma questão competitiva. Ficar fora era impossível", diz o executivo. Para ele, a Claro teria condições de disputar sozinha, mas teria mais dificuldades de formatar uma proposta que pudesse ser aprovada. " Da forma como fizemos, a competição ficou mais equilibrada", disse Felix a este noticiário. 

A opção pela oferta em conjunto com TIM e Vivo também passa pelos riscos. "Não vejo riscos regulatórios, mas a gente não sabe exatamente qual a situação da Oi Móvel, considerando que a empresa está há alguns anos em recuperação e em uma condição financeira deteriorada, então é preciso ver como está a base e a rede".

Félix minimiza a perda de vantagem na quantidade de espectro. " Essa vantagem foi circunstancial e a gente sabia que uma hora as outras iriam recuperar, então não dava para perder essa oportunidade". 

Ele ressalta que operar uma rede móvel nacional no Brasil é um grande desafio, e que a realidade está provando que não existe espaço para mais do que três competidores. "Olhe a Nextel e a Oi, não aguentaram. E mesmo pela Oi Móvel, não apareceu mais nenhum interessado além de nós, o que mostra que não é um negócio simples". Para a Claro, a compra faz sentido pelo incremento de base e algumas sinergias. "Será preciso agora um grande cuidado na transição, porque é uma operação complexa. Eu diria que é três vezes mais complexa do que foi a transição da Nextel, que concluímos agora", diz ele, sobre a compra da base e rede da Nextel realizada pela Claro no ano passado. 

Sobre o prazo de aprovação, ele acredita que não deve ser rápido, por ser uma operação de grande porte. " A Nextel acabou demorando bem mais do que a gente esperava. Nesse caso (Oi Móvel) vai depender muito de quem entrar como interessado no processo, mas talvez a visibilidade da operação faça com que as coisas andem mais rápido", diz ele, sem cravar um prazo. Para Félix, contudo, é improvável que a operação da compra da Oi Móvel tenha qualquer relação com o edital de 5G, ao contrário do que sugere a TIM. "Acho que o governo vai tratar de forma separada, não vejo muito como vincular uma coisa com outra. No caso do 5G, acho que há outras variáveis mais importantes que precisam ser resolvidas antes", diz, em referência a eventuais restrições a fornecedores.

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