Fabio Faria se encontra com Starlink e OneWeb e tenta parcerias de conectividade via satélite

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, em agenda internacional, realizou conversas com dois operadores de constelações de satélite de órbita baixa (LEO), SpaceX e OneWeb, para tentativa de fechar parcerias de conectividade. A notícia gerou muitas dúvidas e especulações dentro do setor de satélites sobre a natureza dos projetos do governo brasileiro, já que atualmente existe o programa de conectividade GESAC, implementado por meio do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC) mediante contratação da Telebras.

Segundo o ministério, a conversa com o fundador da SpaceX, Tesla e Starlink, Elon Musk, aconteceu nesta segunda-feira, 15, em Austin, Texas (EUA). A conversa girou em torno de uma possível parceria entre as empresas Starlink e SpaceX e o governo brasileiro.

No encontro, entrou em pauta o uso da tecnologia para preservação da floresta amazônica, para monitoramento de desmatamentos e incêndios ilegais, além de projetos de conectividade para escolas e unidades de saúde em áreas rurais, comunidades indígenas e locais remotos.

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"Estamos trabalhando para fechar essa importante parceria entre o governo brasileiro e a empresa SpaceX. Queremos aliar a tecnologia desenvolvida por eles com o programa WiFi Brasil do Ministério das Comunicações. O nosso objetivo é levar internet para área rurais e lugares remotos, além de ajudar no controle de incêndios e desmatamentos ilegais na floresta amazônica", destacou o ministro. Para Faria, os cerca de 4500 satélites, que orbitam em baixa altitude das empresas de Elon Musk, podem colaborar nesse monitoramento.

Para Elon Musk, levar internet para "as pessoas do Brasil que têm mais dificuldade de se conectar" é uma oportunidade a ser celebrada. "Estamos ansiosos para poder proporcionar conectividade para os menos conectados", ressaltou o empresário norte-americano, segundo o comunicado emitido pelo ministério brasileiro.

O encontro ainda teve a presença da secretária-Executiva do Ministério das Comunicações, Estella Dantas, e do secretário das Telecomunicações do MCom, Artur Coimbra.

Dias antes, Fábio Faria esteve em uma reunião com Chris McLaughlin, responsável pelas relações governamentais da OneWeb, outra empresa de satélite de baixa órbita que começa a operar a partir do próximo ano. O encontro aconteceu em Glasgow, na Escócia, e segundo Fabio Faria nas suas redes sociais, assunto foi o interesse na cooperação com o Brasil para atender escolas rurais e para a proteção da Amazônia.

A OneWeb, controlada pelo grupo indiano Bharti, tem o governo britânico, o fundo japonês Softbank, a Hughes e a Eutelsat como acionistas minoritários. A Hughes opera o sistema de banda larga via satélites HughesNet no Brasil, mas hoje utiliza uma constelação geoestacionária. A Eutelsat tem 23% da OneWeb e opera satélites para o mercado corporativo no Brasil.

Fabio Faria disse por meio de sua conta no Twitter, que a empresa pretende ampliar os atuais 350 satélites de baixa órbita, para 500, e está lançando 2 centros de controle no. "Eles têm grande interesse em colaborar para atender localidades e escolas rurais, além de ajudarem na proteção da Amazônia".

Dúvidas

As conversas do ministro geraram dois tipos de questionamentos ouvidos por este noticiário junto a atores do mercado de satélites. O primeiro deles é se haveria um programa de conectividade baseado em satélites de órbita baixa sendo gestado. Isso porque o programa de conectividade via satélite atual, o GESAC, é prestado pela Telebrás por meio do SGDC.

Recentemente, o ministério abriu um chamamento para tomada de preços e ouvir do mercado se haveria mais interessados em prestar o programa. Na ocasião, Starlink não foi convidada a se manifestar, mas outras empresas mostraram o interesse em prestar serviços para o governo. Ainda assim, o Ministério das Comunicações ampliou a quantidade de pontos do GESAC contratados pela Telebrás.

O entendimento do ministério foi o de que, por não terem cobertura nacional individualmente, só a Telebrás teria capacidade de atender ao programa, conforme relata o próprio ministério no processo. As empresas de satélite, por sua vez, alegam que uma nova licitação do GESAC poderia trazer ganhos de até R$ 180 milhões em relação ao atual contrato.

O contrato do GESAC vai até dezembro 2023 e depois disso precisaria ser novamente licitado, mas até lá a Telebrás tem a prioridade na prestação do serviço. Não está claro ainda se o governo quer incluir redes de alta capacidade operadas por constelações de órbita baixa ou se seria um novo programa.

A Telebrás não tem planos de desenvolver uma constelação própria e aposta na viabilização de um segundo satélite geoestacionário SGDC 2. Já a norte-americana Viasat, parceira da Telebrás na operação do SGDC (e que nos EUA disputa diretamente o mercado de banda larga via satélite com a Starlink), tem a expectativa de lançar em breve o Viasat 3, um geoestacionário que cobrirá o Brasil com banda Ka para serviços de banda larga.

Recentemente também a SES lançou um satélite de cobertura nacional com banda Ka também para serviços de banda larga, e para o próximo ano deve iniciar não só a operação desse satélite como de sua constelação de órbita média O3b M-Power, que amplia a atual capacidade da constelação O3b.

Várias outras operadoras de satélite, como Telesat e Eutelsat, têm planos já anunciados de constelações de órbita baixa.

Outro questionamento feito pelo mercado foi sobre a análise de custos de um sistema de banda larga em órbita baixa para cobrir a Amazônia. Apesar de alta capacidade, as estações terrestres utilizadas hoje pela Starlink custam cerca de US$ 1.000 (cerca de R$ 5,5 mil, dos quais a Starlink subsidia a metade para os clientes residenciais) e o serviço está na casa de US$ 100 (cerca de R$ 550).

Além disso, a Starlink ainda não tem operação montada no Brasil e aguarda a aprovação de autorização de satélite estrangeiro por parte da Anatel. A estratégia da empresa passa por parcerias com empresas de telecomunicações. O processo na Anatel está com o conselheiro Vicente Aquino. (Colaborou Samuel Possebon)

1 COMENTÁRIO

  1. V. Exa. Senhor Ministro das comunicações poderia dar nos oportunidade de oferecemos o nossos serviços da empresa inglesa de comunicações bi-direcional via satélite ao governo temos constelação de operadoras de satélite Hispasat Amazonas 2 , com equipamentos para comunicações via satélite para todo território brasileiro conecte-se conosco.

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