Para Thales, Brasil só manterá conhecimento sobre satélites se buscar fabricação própria

Um dos principais aspectos do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC) é, em teoria, a possibilidade de transferênia de tecnologia da construção do satélite, contratado pelo Brasil junto à fabricante Thales Alenia. Esta foi uma das condições colocadas pela Visiona, joint-venture entre Embraer e Telebras criada para integrar o projeto do SGDC. Durante o Congresso Latino-Americano de Satélites realizado nesta quinta, 15, no Rio de Janeiro, a Thales fez uma apresentação sobre o projeto.

Sem poder dar detalhes sobre a construção, por força do contrato com a Visiona, Joel Chenet, general manager da empresa franco-italiana no Brasil, optou por destacar os esforços de transferência de tecnologia já realizados. Ele mostrou depoimentos de diversos pesquisadores brasileiros envolvidos com as diferentes etapas do processo e a parceria da empresa brasileira CENIC no fornecimento de um dos componentes estruturais do satélite, um painel de alumínio onde são fixadas outras peças do artefato. Mas Chenet foi realista com relação ao potencial da transferência de tecnologia.

Por enquanto, diz ele, essa participação brasileira dificilmente significará a possibilidade de uma participação mais efetiva do País na cadeia de fornecimento de tecnologias e componentes para satélites. Segundo ele, para participar desse mercado, o Brasil precisa desenvolver capacidade não apenas de fabricar as peças, mas de fazê-lo com custos competitivos e capacidade de entrega em prazos curtos e bem definidos, e nenhuma dessas condições foi alcançada na escala necessária ainda.

Questionado sobre o que deveria ser feito para que o conhecimento que está sendo adquirido pelo Brasil no projeto fosse mantido, Chenet foi categórico: o projeto do SGDC precisa continuar e, principalmente, o Brasil precisa buscar a construção de satélites, não necessariamente grandes satélites geoestacionários, mas satélites menores para outras aplicações. "Sem isso, tudo o que for transferido agora pode ser perdido", disse o executivo da Thales Alenia.

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