Faria: processo do edital do 5G envolveu 'muita política'

Foto: Pixabay

Durante participação de evento em São Paulo nesta quinta-feira, 16, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, voltou a falar que o leilão do 5G não seria um programa do governo. Contudo, também ressaltou que a política permeou todo o processo que envolveu o edital atualmente na Anatel. Incluindo o contexto geopolítico, que ele acredita ter colocado "em segundo plano" com medidas como a rede privativa do governo. 

Faria destacou vários desses elementos, incluindo discussões sobre como abordar o suposto problema de cibersegurança com fornecedores chineses como a Huawei. Ele não mencionou pressão do governo dos Estados Unidos, mas observou que o entrave poderia colocar em risco o leilão do 5G

"Conversei com quase todos os ministros do Supremo [Tribunal Federal], pois tinha esse problema geopolítico. Não podíamos perder o leilão por conta disso", declarou o ministro. "E em um ambiente hostil, com o Brasil muito polarizado, consegui saída para deixar esse elemento em segundo plano", completou. 

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Essa "saída" seria a rede privativa: com o governo impondo regras que exclui a possibilidade da Huawei concorrer, haveria assim a prerrogativa de deixar essa infraestrutura sem presença de chineses. Ao mesmo tempo, a rede 5G comercial continua podendo ter equipamentos da companhia, o que atende à demanda das próprias operadoras. 

"Eu diria que teve muita política", destacou Faria ao se referir sobre os desafios relacionados ao edital. "Você tem que jogar o jogo de acordo com as regras."

Viagens

O ministro lembrou que, como deputado federal pelo estado do Rio Grande do Norte (pelo PSD), atuava mais nos bastidores do que "de frente", e que isso o ajudou na articulação para fazer o edital caminhar. O estado nordestino foi um dos mais visitados na agenda oficial dele em 2021, como mostrou TELETIME.

O estado natal de Faria não foi o único destino. Também nesse contexto político, ele lembrou que realizou as "Missões 5G", na qual chamou vários ministros do Tribunal de Contas da União para sua comitiva para "trazer para perto" os membros no diálogo com o Ministério. "Chamei o TCU para a primeira viagem e, depois, para Washington e Nova York, chamei o [ministro, relator do edital do 5G no Tribunal] Raimundo Carreiro e técnicos do TCU", observou. 

"Os ministros do TCU, quando foram, voltaram com outra visão: totalmente convencidos de que o 5G teria que sair o mais rápido possível", declarou. Na apreciação da minuta do edital enviado pela Anatel, o plenário do Tribunal aprovou o relatório de Carreiro, que não conheceu a maior parte dos questionamentos levantados pela área técnica do próprio órgão, por sete votos a um. 

Na terça-feira, 14, em solenidade no Palácio do Planalto, o Ministério das Comunicações entregou a cada um dos 54 nomes o Prêmio Marechal Rondon de Comunicações por desenharem "trabalhos relevantes nas áreas de telecomunicações, radiodifusão, serviços postais e comunicação social". O MCom condecorou cinco ministros do TCU: Raimundo Carreiro, Jorge Antonio de Oliveira Francisco, Bruno Dantas, Walton Rodrigues e Vital do Rêgo Filho; além do próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido); a primeira-dama Michelle Bolsonaro; o filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (Patriota/RJ); vários ministros; e secretários da própria pasta. A Anatel só foi representada pelo presidente, Leonardo Euler.

O evento desta quinta-feira foi promovido pela Esfera, empresa criada por João Carlos Camargo. A família Camargo tem raízes na radiodifusão, tendo fundado as rádios 89 FM e Alpha, estações para as quais Faria deu entrevista em duas visitas a São Paulo ao longo deste ano. "Quero parabenizar João Camargo por ter montado essa empresa que tem sido muito importante para o nosso Brasil, conectando Brasília e São Paulo", declarou, citando ainda o jornalista Eduardo Vieira, co-fundador da empresa e recentemente nomeado diretor de comunicações para a América Latina do grupo SoftBank. (Colaborou Henrique Julião)

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