Proposta das elétricas para padrão brasileiro de smart grid ficará pronta até fevereiro

A Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel) e a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) pretendem contratar em outubro uma consultoria para ajudar na elaboração de um relatório que sirva de base para um programa brasileiro de redes elétricas inteligentes (smart grids). A expectativa é de que o relatório fique pronto no máximo até fevereiro, quando será entregue ao governo.
O presidente da Aptel, Pedro Jatobá, se inspira no projeto do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) para sonhar com a elaboração de um padrão brasileiro para smart grids. "Se deixarmos o mercado solto, pode haver um resultado desordenado", explica o executivo para justificar a busca pela padronização. "Nenhum país criou seu padrão de smart grid ainda. Os EUA estão correndo atrás", acrescentou. Jatobá acredita que se um padrão brasileiro for desenvolvido ele poderia ser exportado para outros países da América Latina, tal como acontece com o SBTVD. O Brasil representa hoje metade do mercado de energia do continente latino-americano.
"No relatório, vamos construir cenários possíveis para a migração a smart grids, mapear as instituições de pesquisa, identificar gargalos e propor um programa brasileiro de redes elétricas inteligentes", disse Jatobá. São vários os aspectos que precisarão ser definidos, como por exemplo: funcionalidades e requisitos básicos das smart grids; tecnologias a serem utilizadas; políticas públicas de pesquisa e desenvolvimento; e adequações necessárias na regulamentação.
Não está desenhado como será o modelo de financiamento das smart grids e isso dependerá do quão interessado no projeto o governo estiver. Até certo ponto, as próprias empresas estariam dispostas a investir, mas para acelerar o processo seria necessário haver incentivos governamentais ou exigências regulatórias. O uso das redes elétricas está sendo considerado pelo governo no Plano Nacional de Banda Larga, que deve contar com investimentos públicos.
Espectro
A demanda do setor elétrico por uma faixa de frequencia exclusiva para suprir as necessidades de telecomunicações das smart grids foi tema de discussão nesta quarta-feira, 16, durante o 10º Seminário Nacional de Telecomunicações da Aptel, no Rio de Janeiro. "É extremamente necessário termos espectro para a comunicação entre os medidores inteligentes," disse Dymitr Wajsman, diretor da Aptel. Ele lembrou que no Canadá o governo alocou 30 MHz em 1,8 GHz para as utilities. Na última segunda-feira, Jatobá disse a este noticiário que o setor estava estudando solicitar um pedaço na faixa de 2,5 GHz.
O gerente geral de certificação e engenharia de espectro da Anatel, Maximiliano Martinhão, disse que 30 MHz seria muito para ser usado apenas pelas utilities. "30 MHz era tudo o que a Vivo tinha até bem pouco tempo. É preciso lembrar que o espectro é um bem escasso. E hoje em dia fala-se mais em uso compartilhado de espectro do que em uso exclusivo", disse.
Martinhão informou que na consulta pública sobre a faixa de 450 MHz houve uma contribuição do setor elétrico solicitando quatro pares de 12,5 MHz divididos entre os trechos de 459 a 460 MHz e 469 a 470 MHz.

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