Entrada do Google em streaming de música é bem recebida por concorrentes

Um dia após o Google anunciar o lançamento de seu serviço streaming de música, o Google Play Music All Access, os palestrantes do painel "A música nas ondas do celular", na 12ª edição do Tela Viva Móvel, evento realizado nesta quinta-feira, 16, em São Paulo, foram unânimes em considerar a entrada da empresa favorável ao desenvolvimento desse negócio. "O fato de grandes players entrarem nesse mercado é um bom sinal. Hoje há apenas 20 milhões de assinantes de serviços de música por streaming no mundo. Ainda tem muito espaço para crescer”, avalia Mathieu Le Roux, diretor geral da Deezer para a América Latina. "A maior concorrência não vem do Google, nem da Apple, mas da pirataria", complementou Claudio Vargas, vice-presidente de marketing digital e negócios da Sony, que acredita que a entrada desses grandes players pode contribuir para o avanço da legalidade no setor. A estimativa do executivo da Sony é de que o mercado global de música digital movimentou US$ 5,6 bilhões em 2012 e que a modalidade de streaming, com seus 20 milhões de assinantes, responda por apenas 10% desse montante. "Ainda temos muito espaço para crescer", pontua Vargas.

Os palestrantes também concordam que a entrada do Google e, possivelmente, no futuro, da Apple nesse segmento de streaming de música deve contribuir para uma mudança no comportamento do consumidor, que precisa se acostumar a ter acesso ao conteúdo em vez de possuí-lo. "O hábito da compra é muito forte e fomos educados a também comprar no mundo da música. Essa realidade agora está em transformação e o comportamento do usuário deve mudar", opina Vargas.

No que diz respeito ao impacto do lançamento no Brasil, Paulo Lima, CEO da iMusica, ressalta a importância de conhecer as particularidades do mercado. "O serviço do Google vem para aquecer o mercado brasileiro, mas é preciso fazer uma adaptação de valor. Aqui tem um grande percentual de usuários que não têm cartão de crédito, por exemplo", lembra. Fábio Cristilli, diretor de segmento Internet, VAS e handsets da TIM Brasil, sugere que a parceria entre os provedores de serviço de música e as operadoras (como ocorre entre a Deezer e a Orange, na França) pode torná-los mais competitivos diante do Google e contornar o obstáculo dos usuários desbancarizados. Le Roux, da Deezer, afirma que a empresa francesa está em negociações para estabelecer parcerias com operadoras no Brasil e em outros países da América Latina.

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