Provedores e teles buscam alternativas para acesso à Internet

Enquanto a Anatel estuda um novo modelo para o acesso à Internet, operadores e provedores de acesso estudam possibilidades de adaptação aos novos tempos, em que a competição com as empresas de acesso gratuito começa a incomodar. A Telefônica tem duas cartas na manga. O primeiro é um serviço de acesso à Internet com tarifa única (flat fee). Os assinantes da tele poderão contratar por cerca de R$ 19 mensais um plano de acesso à Internet. Com isso, toda vez que discarem para algum provedor para se conectarem, não pagarão os pulsos referentes ao tempo de conexão. Para o serviço funcionar, os provedores terão também números de acesso especiais, que são os números não tarifados por pulso. "É um modelo parecido com o que quer a Anatel", diz Eduardo Navarro, vice-presidente de regulamentação da Telefônica. O serviço foi testado com sucesso em São José dos Campos e será em breve oferecido em todo o estado de São Paulo. A tele também tem um projeto de acesso gratuito, o iTelefônica, em teste em São Carlos, que busca fazer frente à investida da Telemar/iG sobre o mercado paulista. "Sobre esse projeto, prefiro não dar detalhes", diz Navarro. A reticência da Telefônica tem explicação: o projeto iTelefônica é uma ação defensiva. A tele não quer que o modelo de acesso grátis subsidiado pela geração de tráfego se torne o padrão no país. "O nosso mundo ideal é aquele em que não haja risco de que o usuário que não usa a Internet seja obrigado a arcar com a conta do acesso grátis", diz o executivo. Ele admite que a Telefônica quer que o projeto de um novo modelo de acesso discado proposto pela Anatel vá em frente. "Consideramos que o artigo 14, que evita o repasse de receita pelo tráfego gerado aos provedores, é importante, mas ele ainda não está claro o suficiente para atingir este objetivo".

UOL e Embratel

Outro movimento importante em relação ao modelo de Internet está sendo dado pelo UOL. O provedor, que está entre os maiores críticos do modelo de acesso gratuito, não quer correr o risco de ficar sozinho contra as teles caso as propostas de acesso discado colocadas pela Anatel não vinguem. Por isso, esté negociando com a Embratel (dona da Acesso.net, empresa que dá o acesso discado para o UOL) a possibilidade de ter também alguma remuneração pelo tráfego gerado. Quando o UOL vendeu sua infra-estrutura de acesso à tele de longa distância, por US$ 100 milhões, foi previsto apenas que ao longo de cinco anos os valores cobrados pela Embratel cairiam, mas não se previu uma remuneração ao provedor. Agora, para enfrentar a concorrência dos provedores gratuitos bancados pela geração de tráfego, isso pode ser necessário.

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A posição do UOL, contudo, é contrária ao modelo de remuneração por tráfego. O maior provedor brasileiro aprova a iniciativa da Anatel de coibir este repasse das receitas das teles aos provedores e quer que o novo modelo proposto pela agência seja obrigatório a todo o mercado.

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