Revisão do conceito de bens reversíveis pode acelerar projetos de cidades digitais

Os contratos de concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) deverão ser revistos no ano que vem pela última vez antes de sua renovação, datada para 2025, e a expectativa do presidente da Telefônica/Vivo, Antonio Carlos Valente, é de que finalmente haja uma definição sobre como serão tratados os bens reversíveis. "É o momento de discutir como podemos aproveitar o pouco que resta desse serviço (telefonia fixa) e resolver essa questão dos bens reversíveis. Hoje se um bit trafegado na rede é usado para voz, é considerada bem reversível e isso gera insegurança, é um risco regulatório que impede que façamos investimentos mais significativos em redes de última geração", argumenta Valente. "É um inibidor de uma aceleração maior para redes de fibra. Além disso, segundo ele, "a venda de bens reversíveis poderia ajudar a financiar pelo menos parte dos projetos de cidades digitais".

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Valente dá como exemplo o projeto-piloto de cidade digital de Águas de São Pedro (SP), onde a Telefônica/Vivo substitui a infraestrutura legada com fibra ótica até armários multisserviços (MSANs) e aproveitando o cobre apenas na última milha com conexões VDSL. "Eliminamos as centrais antigas e o prédio que antes concentrava a estrutura legada, agora, está vazio. Se pudéssemos vender, os recursos poderiam acelerar os projetos", diz, citando que o projeto da cidade paulista consumiu recursos da ordem de R$ 2,5 milhões.

A Telefônica tem também cerca de 3,5 milhões de domicílios cobertos por uma rede de fibra, e perto de 300 mil usuários de banda larga servidos por essa rede, mas propositalmente não oferece nenhuma solução de VoIP integrada a essa rede banda larga, justamente para evitar alguma interpretação que cause problema no futuro em relação à reversibilidade e à natureza desta rede.

Só fibra

A Telefônica se prepara agora para fazer o primeiro projeto de cidades digitais utilizando somente fibra ótica GPON. "Já escolhemos a cidade aqui no Estado de São Paulo, bem próxima da cidade de São Paulo, na verdade, e cobriremos 100% dos domicílios de todo o perímetro urbano da cidade com GPON. Vamos quebrar a cidade inteira para passar fibra", revela Valente.

O ideia dos projetos-piloto de cidades digitais é identificar os eventuais problemas de uma migração de rede legada para redes de próximas gerações e adquirir know-how em áreas como planejamento, engenharia e sistemas de operação. E mais do que isso, os pilotos devem servir de subsídio para os argumentos das concessionárias que pretendem, no fim das contas, acabar com a figura dos bens reversíveis.

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