UIT: ciberguerra é uma realidade

Diante das denúncias de espionagem do governo norte-americano nas comunicações de vários países, entre eles o Brasil, o secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), Hamadoun Touré, afirmou nesta segunda-feira, 15, que a ciberguerra já é uma realidade, mas que os governos podem promover uma espécie de "ciberpaz".

Touré sugere que a espionagem não é algo exclusivo do governo dos Estados Unidos, citando uma conversa com um embaixador (não identificado) que teria confessado que "todos os países fazem isso". O secretário-geral da UIT diz que as nações precisam aproveitar o momento em que o caso veio a público para promover a segurança na Internet em uma espécie de trégua. "Espero ter uma ciberpaz, pois precisamos disso neste ambiente", afirmou. Ele reconheceu, entretanto, que obter essa trégua é mais difícil do que em guerras convencionais por conta da dinâmica dos ataques, que podem ser aplicados por qualquer um e em qualquer lugar. Não é segredo que a UIT tem planos para que seja ela a "gestora" da Internet.

Na verdade, Touré considera que os cibercrimes são passos naturais da evolução da presença da humanidade nos ambientes digitais. "O cibercrime é epidêmico, mas não é uma mudança no comportamento humano, é apenas uma consequência das vantagens evidentes (da Internet)", disse ele em coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça. "É como uma moeda – temos dois lados e não podemos fazer nada em relação a isso", completou.

Apesar do momento delicado, Hamadoun Touré diz que a sociedade global está vivendo "um dos momentos mais empolgantes da história", citando o marco de sete bilhões de assinaturas móveis até o final do ano, sendo 2,1 bilhões com Internet móvel. "A rede já está virando uma commodity", ressaltou.

Papel da UIT

É bom lembrar que a UIT esteve no centro de um debate sobre a regulamentação na Internet ocorrido em dezembro do ano passado, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Na ocasião, vários países se recusaram a assinar a revisão dos Tratados Internacionais de Telecomunicações (ITRs). O motivo da discórdia foi a Resolução 3, que não faz parte dos ITRs e por isso não tem caráter vinculativo. Ela trata do fomento e da viabilização de um ambiente de maior desenvolvimento da Internet e reconhece que todos os governos devem ter papel equivalente e responsabilidades iguais na governança da Internet de forma a garantir estabilidade, segurança e continuidade na existência da Internet e de seus futuros desenvolvimentos.

Alegando brechas para interpretações totalitárias no controle da rede (bem como a legitimação por parte dos países que já praticam isso), Estados Unidos e vários países da União Europeia se recusaram a assinar o documento final. Por outro lado, a delegação brasileira aprovou a proposta, assinando o documento assim como fizeram Rússia, China e países árabes.

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