Setor de telecom poderá sair fortalecido de cenário pós-covid, dizem analistas

Valder Nogueira (Santander), Marcos Aguiar (BCG), Carlos Eduardo Siqueira (BTG Pactual) e Susana Salaru (Itaú/BBA)

O setor de telecomunicações está mostrando resiliência durante a crise econômica no contexto da pandemia do coronavírus, e agora começa se falar em um cenário pós-covid. Para analistas de instituições financeiras que acompanham este mercado e participaram de live promovida pelo TELETIME nesta segunda-feira, 15, o impacto dessa crise ainda vai ser sentido, e a retomada ainda está em um formato indefinido, mas há oportunidades. 

Marcos Aguiar, analista do BCG, diz que as operadoras de telecomunicações são sensíveis (como qualquer outra vertical) ao cenário macroeconômico, uma vez que a queda na renda dos consumidores e de pequenos negócios é afetada. Por outro lado, ele diz estar sendo possível mostrar algo que o setor vem falando há muito tempo: "a economia não vai funcionar sem conectividade".

O analista coloca que "uma das poucas benções da covid" foi a faísca para o setor entrar no mundo de serviços digitais. Ele acredita que a lição tomada é que há uma resiliência, uma vez que as teles conseguiram lidar com o aumento de tráfego e com a digitalização. "Houve melhoria na rentabilidade [com o passar dos anos], mas agora tem o trabalho de reinventar as operações para o retorno sobre capital investido", destaca. Para Aguiar, há necessidade de mudanças do operacional. "Tem que misturar a visão de caixa e de retorno com a estratégica", alerta. 

Curva de retomada

De acordo com a analista do Itaú/BBA, Susana Salaru, há uma discussão no mercado de como a recuperação econômica será: se em formato de V, com uma curva mais aguda, ou como U, com um período achatado mais prolongado. "Os impactos serão distintos, piores ou maiores. Em V, o impacto é mais agudo, mas a recuperação é rápida. Em U, a baixa demanda dura mais tempo", explica. 

A analista diz estar otimista com o setor, especialmente devido à aceleração da digitalização por conta da covid-19. "As operadoras estão se relacionando mais com clientes e empresas. E a digitalização interna fará aumentar a eficiência do backoffice. O que vai ser positivo da crise é perceber que, quanto mais digital a empresa, melhor passa por momentos de incerteza", destaca.

5G

Salaru diz que a previsão do Itaú/BBA é de já haver retomada do PIB positiva no primeiro trimestre de 2021. Mas com a perspectiva de um leilão de espectro nesse período, haverá dificuldade para teles conciliarem os desafios. "Com o leilão de 5G, as operadoras terão que estar preparadas para o dispêndio de capital grande em um momento em que não vão estar com fluxo de caixa tão positivo", pontua.

Carlos Eduardo Siqueira, do BTG Pactual, acredita que investimentos com leilão de espectro, apesar de adicionarem pressão às margens, por outro lado são previstos para além dos planejamentos de Capex costumeiro. "O 5G é parte do investimento, mas acontece pontualmente, as operadoras se preparam para o investimentos de tempos em tempos. Na hora de leiloar, a expectativa é que o governo consiga balancear de forma que as operadoras possam se estruturar", diz. Entretanto, Siqueira tem uma visão "mais cautelosa", com um impacto grande e retomada devagar e gradual, ainda que o setor de telecomunicações seja melhor posicionado do que outros. 

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