Para FCC, competição via OTT é natural; regulador defende leilões de espectro

Em discurso destinado aos associados da NAB – que reúne broadcasters dos Estados Unidos – o presidente da agência reguladora norte-americana FCC, Tom Wheeler, chamou o setor a apoiar os esforços da agência para garantir uma Internet aberta. "Eu sei que os broadcasters sempre tiveram receio aos gatekeepers. As regras do must carry (na TV a cabo) são uma manifestação desse receio. É esse tipo de sensibilidade que nos levou a focar em uma Internet livre", disse Wheeler.

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Segundo o presidente da FCC, a Internet aberta garantirá um canal cada vez mais importante para o produto mais importante dos broadcasters, a informação e as notícias locais, sem o risco de ser barrado por um gatekeeper.

Wheeler pediu o apoio pessoal e através da associação NAB ao projeto. "Quando vocês quiserem oferecer alguma coisa através da Internet, ninguém deverá estar no caminho. Por fim, ninguém fica entre vocês e os consumidores que se beneficiarão de seus serviços. Isso vale para o rádio e para a TV", disse.

OTT

Tom Wheeler diz que, para a FCC, o over-the top (OTT) traz competição ao setor de conteúdo. Segundo ele, o estudo anual da agência sobre o serviço da TV por assinatura trouxe, pela primeira vez, uma queda na base de assinantes, sobretudo no cabo. "A banda larga traz aos consumidores novas opções de OTT, como o Hulu e Amazon Prime, e com os alto preços dos pacotes de cabo, cerca de US$ 125 ao mês, os consumidores estão buscando alternativas".

Uma das alternativas apontada por Wheeler é buscar a TV aberta e, segundo ele, o número de casas que dependem exclusivamente da antena para receber o sinal da TV é crescente nos Estados Unidos. "Estamos vendo um aumento no número de pessoas cortando o cabo e combinado uma antena com serviços OTT", disse. "Eu espero ver mais canais de TV aberta incorporados nos serviços OTT", completou.

Agrado

Segundo o presidente da FCC, não há dúvidas de que a indústria de radiodifusão é importante ao interesse público. "O broadcasting é uma importante parte do nosso futuro, assim como foi indispensável no passado", disse. "A TV e o rádio locais ainda são a mais importante fonte de notícias de última hora nas nossas cidades e localidades. Os broadcasters são para onde dirigimos nossa atenção em momentos emergenciais", disse.

Wheeler apontou a Internet como um meio fundamental para que os grupos de mídia tradicionais, sobretudo rádio e TV aberta, mantenham a sua relevância. "Enquanto nossa economia vai cada vez mais para o online, o conteúdo da radiodifusão não deveria ser deixado de fora".

Tom Wheeler aproveitou ainda para dar uma "dica" de como será a regulamentação da última fase do leilão de espectro nos Estados Unidos, resultado do dividendo digital e da venda voluntária por parte de radiodifusores. Wheeler disse que o esforços são para tornar a participação dos radiodifusores mais cômoda. A FCC pretende realizar os leilões no início de 2016 e deve começar a receber a adesão dos broadcasters no outono (do hemisfério norte).

Segundo Wheeler, a AT&T se disse comprometida a gastar até US$ 9 bilhões no leilão, enquanto T-Mobile e Dish também disseram que pretendem participar. "E eu duvido que os únicos lances serão dos compradores tradicionais", completou.

Por outro lado, disse Wheeler, centenas de broadcasters já manifestaram interesse em participar, incluindo grandes grupos de TV aberta como Fox, Ion e Univision.

Por fim, Wheeler disse que este será o último grande leilão envolvendo frequências da radiodifusão. "É uma oportunidade única", disse.

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