Brasil pode enviar à Citel proposta de harmonização regional para faixa de 6 GHz

Conforme esperado, a delegação brasileira caminha para incorporar as definições da Anatel para a recomendação de harmonização regional da faixa de 6 GHz. A proposta submetida nesta segunda-feira, 15, pela Comissão Brasileira de Comunicações em radiocomunicação (CBC-2) e pelo Grupo Relator de Radiocomunicações de serviços terrestres (GGR 2) deverá ser debatida no na 37ª reunião do CCP.II da Comissão Interamericana de Telecomunicações (Citel). Mas antes precisa passar pelo crivo da GC-CBC, formado por todas as superintendências da agência, que pode modificá-la ou até mesmo não aprová-la. Mesmo com essa tramitação ainda adiante, é um forte indicativo da proposta que deve ser defendida pelo Brasil.

Segundo a Anatel,  "até o momento, existe uma proposta de contribuição aprovada no nível da CBC 2 que está em avaliação no GC-CBC até o dia 19/3/2021, para posteriormente, se aprovada, ser submetida para o Comitê Consultivo Permanente II (CCP.II) da Comissão Interamericana de Telecomunicações (Citel)".

A proposta é uma recomendação para as administrações da Citel desenvolverem uma regulação harmonizada para utilizar a faixa de 5.925-7.125 MHz por redes sem fio de radiação restrita (como Wi-Fi), com as condições técnicas de operação para aplicações de baixa potência indoor (LPI) e de baixíssima potência (VLP). 

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Conforme vislumbra o documento, o padrão WiFi 6E (802.11 ax) permite o uso de sete canais de 160 MHz sem sobreposição, o que na prática resulta em melhor desempenho. Para o futuro, a expectativa é de utilizar toda a faixa, o que permitiria três canais de 320 MHz, o que deverá ser a proposta do futuro padrão WiFi 7 (802.11be).

A CBC-2 ressalta que, ao se adotar as premissas de potência para o WiFi 6E, deve-se garantir a coexistência com serviços de incumbents primárias e secundárias. No Brasil, por exemplo, há questões de convivência com serviço de satélite fixo (FSS) e enlaces de micro-ondas. 

Estas são as recomendações para LPI e VLP, seguindo a regulação da Anatel:

 Low Power Indoor (LPI)
 ClientAccess point
Type of useIndoorIndoor
Maximum mean e.i.r.p.24 dBm30 dBm
Maximum mean e.i.r.p. power spectral density (PSD)-1 dBm/MHz5 dBm/MHz
Maximum RMS e.i.r.p. power spectral density (PSD) for out of band emissions– 27 dBm/MHz
Fonte: CBC-2
 Very Low Power (VLP)
 
Type of useIndoor/Outdoor
Maximum mean e.i.r.p.17 dBm
Maximum mean e.i.r.p. power spectral density (PSD)-5 dBm/MHz

Texto equilibrado

Conforme declararam o coordenador da CBC-2, o gerente de espectro e órbita da Anatel, Agostinho Linhares; e o vice-coordenador da Comissão, Tarcísio Bakaus, a proposta da delegação incorporou contribuição da Qualcomm. O documento recebeu propostas adicionais da GSMA, que recebeu apoio de empresas como Globo e SES. Posteriormente, a própria Qualcomm propôs novos ajustes, seguida de Facebook e Intel. 

Assim, informam os gestores, o texto aprovado considerou os comentários "para deixar o texto mais equilibrado possível e ao mesmo tempo refletir preocupações de diversos setores envolvidos". 

A justificativa pela destinação da faixa de 6 GHz para serviços de radiação restrita como o WiFi 6E é que há a estimativa de gerar impacto econômico. Citando previsão da Dynamic Spectrum Alliance para o período de 2020 a 2030, no Brasil haveria impacto de US$ 112,14 bilhões no PIB, US$ 30,3 bilhões para empresas e US$ 21,19 bilhões para a população. 

Retificação

A matéria original não incluia a ressalva de que a proposta da CBC2 ainda precisa passar pelo GC-CBC, o que já foi corrigido. De qualquer maneira, segue a nota oficial da Anatel sobre a primeira versão da reportagem:

"A CBC 2 (Comissão Brasileira de Comunicações – Radiocomunicações) é um grupo propositivo, no qual suas propostas de contribuições, assim como de quaisquer outras CBCs, estão sujeitas a aprovação do Grupo de Coordenação das CBCs (GC-CBC). Por isso, a matéria acima não está precisa quando afirma que a contribuição foi aprovado, pois leva o leitor a crer que essa já é a proposta brasileira, quando na realidade, o GC-CBC ainda tem que aprovar, podendo realizar ajustes ou até mesmo desaprovar o encaminhamento da contribuição como Brasil. Assim, até o momento, existe uma proposta de contribuição aprovada no nível da CBC 2 que está em avaliação no GC-CBC até o dia 19/3/2021, para posteriormente, se aprovada, ser submetida para o Comitê Consultivo Permanente II (CCP.II) da Comissão Interamericana de Telecomunicações (Citel)".  

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