Coronavírus: quando a conectividade faz a diferença

Foto: Pixabay

Há momentos em que o óbvio precisa ser dito: o setor de telecomunicações mostra-se, nesse momento de crise, essencial e central no funcionamento de nossa sociedade, seja pela ótica econômica ou social. O momento vivido pelo mundo por conta da pandemia do Coronavírus é sem precedentes em tempos de paz, com restrição à circulação de pessoas, suspensão de atividades econômicas e sociais e intensa turbulência para o setor privado e governos, sem falar no imenso sofrimento humano. Mas é difícil de imaginar quão mais grave esta crise poderia ser se não houvesse a conectividade e todos os serviços proporcionados por ela. A dura realidade da crise causada pela Covid-19 mostrou quanto somos dependentes da conectividade para trabalhar, nos relacionar, nos informar, nos divertir e nos organizar.

As telecomunicações raramente são percebidas de maneira positiva pelas pessoas. E geral, o fato de estarmos conectados é apenas algo inerente ao nosso dia-a-dia. Algo neutro, do qual usufruímos intensamente sem nem nos darmos conta. A lembrança vem quando algo não funciona, quando há uma ligação de telemarketing indevida, quando uma cobrança vem errada, quando o atendimento é inadequado. E é esta lembrança negativa que marca o setor.

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Poucos setores econômicos com o peso das telecomunicações têm reputação tão ruim, o que se reflete na maneira como esta indústria é tratada por autoridades políticas, especialmente no Legislativo, nas crítica que recebe da sociedade civil, dos órgãos consumeristas, Judiciário e Ministério Público, na burocracia dos municípios, no tratamento tributário…

Parte desta imagem ruim se deve, com razão, à dificuldade que o setor tem de inovar, de se comunicar e de responder de maneira rápida às demandas da sociedade. Mas uma parte importante está sim ligada ao fato de que não costumamos parar para pensar no que significa estar conectado. Ninguém que não seja do setor é obrigado a saber da complexidade que é manter redes de 4G funcionando ininterruptamente para centenas de milhões de consumidores ao mesmo tempo. A banda larga que temos em casa ou nas empresas equivale, no senso comum, a algo tão trivial como uma rede de água, que uma vez instalada e com a devida manutenção estará lá, funcionando da mesma forma, por décadas. Poucas pessoas se dão conta da dinâmica complexa e dos limites técnicos das redes, que precisam se interconectar e trocar informações permanentemente entre si, precisam de rotas internacionais, precisam de dezenas de milhares de pessoas e equipamentos atuando em sincronia para que não haja falhas.

Conectividade essencial

Esse universo complexo e discreto das telecomunicações, sobre o qual não nos damos conta no dia-a-dia, é o que assegura o smartphone de última geração ter alguma função, o aplicativo de transporte ou compras funcionar, o navegador do carro operar, o canal de TV ou os conteúdos em streaming chegarem até nós.

E é a conectividade que permite que as pessoas possam trabalhar ou estudar remotamente, acionarem médicos e serviços de saúde, conversarem entre si e trocarem informações, ou possam ter acesso a entretenimento em um momento em que países inteiros recomendam (ou ordenam) que as pessoas fiquem em casa e limitem seu contato social.

Também são estas redes garantem que empresas mantenham parte significativa de suas atividades, que o sistema financeiro continue operando, governos possam atuar e se comunicar com a população. As empresas de telecomunicações em todo o mundo, e no Brasil não é diferente, sabem que são essenciais nessa hora e estão tomando iniciativas de tornar seus serviços melhores e mais acessíveis, sem custo, durante a  crise, seja com liberação de sinais de TV, ampliação de franquias de dados móveis, aumento de velocidade na banda larga ou abrindo as redes WiFi públicas. É algo que precisa ser elogiado, reconhecido e lembrado.

Mas ter consciência do papel das telecomunicações é também um bom momento para refletir sobre o muito que precisa ser feito. E a primeira constatação é que infelizmente a conectividade ainda não está disponível a todos. Uma parte significativa dos lares brasileiros não tem banda larga, e muitas pessoas sequer podem arcar com o custo mínimo de um plano de dados. Muitas localidades, áreas remotas e rodovias não são atendidas. A cobertura rural ainda é bastante deficiente e, em algumas cidades, as redes, sobretudo a infraestrutura móvel, estão estranguladas porque a burocracia municipal limita a expansão da capacidade.

Na ponta dos serviços, percebemos que uma parcela ínfima das escolas está preparada para se comunicar digitalmente com os alunos, muitas empresas e órgãos públicos não conseguem montar esquemas de teletrabalho, o uso da conectividade nos serviços de saúde é bastante limitado e praticamente não se utiliza inteligência de dados, muitos dos quais disponíveis nas redes e aplicativos, para políticas públicas e gestão de crise.

Estes gargalos, tanto na infraestrutura quanto nos serviços digitais, poderiam e deveriam ser endereçados na forma de políticas públicas adequadas, e este momento de crise mostra que estas políticas deveriam ser prioritárias. A possibilidade de conectividade plena é algo que se tornou presente na vida das pessoas nos últimos 10 ou 15 anos, e ainda tem um longo caminho pela frente, com o 5G e com o desenvolvimento da Internet das Coisas. O potencial que percebemos agora, quando uma crise como esta eclode globalmente, é apenas uma amostra dos serviços que poderão ser proporcionados no futuro. Seria ótimo se o setor de telecomunicações fosse compreendido e tratado também pelo que proporciona e proporcionará de positivo para a sociedade, e não apenas pelos defeitos que tem.

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