Alierta descarta fusões TIM/Vivo e Telecom Italia/Telefónica até 2015

Em entrevista ao jornal italiano Il Sole 24 Ore, o CEO da Telefónica, César Alierta, declarou que, pelo menos por enquanto, não exercerá a opção de compra da totalidade das ações de controle da holding Telco (na qual atualmente detém 46,2%), maior acionista da Telecom Italia (com 22,4% de participação), e descartou completamente uma eventual fusão tanto das operações europeias quanto no Brasil.

Alierta garantiu que não seria interessante a possibilidade de a Telecom Italia se desfazer da TIM Brasil, algo que poderia levar a uma consequente fusão da operadora com a Vivo. "Não há previsão para uma fusão", disse. E adicionou: "Não sou louco de mexer em um mercado que entrega 23% das receitas de todo o grupo Telefónica".

Uma fusão na Europa entre as próprias empresas em busca de sinergia também está fora de questão. "As sinergias seriam positivas, mas o que conta é o desenvolvimento dos negócios, não há necessidade de uma fusão entre Telefónica e Telecom Italia". Entretanto, perguntado se, em fevereiro de 2015, daria as mesmas respostas, Alierta desconversou. "Não posso dizer; eu disse o que eu realmente penso no momento". Vale lembrar que é nesta data que expira o acordo de acionistas entre Telefónica e os acionistas italianos Mediobanca, Generali e Intesa que compõem a Telco.

Participação na Telco

Alierta disse que o acordo com os demais acionistas da Telco (Mediobanca, Generali e Intesa) prevê que a participação da espanhola não aumentaria a ponto de assumir controle da empresa, apesar de haver uma call option para chegar aos 100% a partir do dia 1º de janeiro de 2014. "A estrutura dos novos acordos é clara: a Telefónica não pode assumir mais do que 49% da Telco", afirmou. Segundo ele, o objetivo é aumentar o desempenho econômico, e não os interesses políticos.

A Mediobanca e a Generali poderiam aproveitar uma nova janela para saída da Telco em junho, mas ele garante que a Telefónica permanecerá na holding. "E eu acho que outros, incluindo a Mediobanca, também irão continuar na Telco até o final de fevereiro de 2015", disse. Alierta explicou que almeja uma melhora na situação econômica da Telecom Italia, até porque, caso contrário, a Telefónica sai perdendo, já que investiu na holding. Segundo ele, a Telco teria reportado um prejuízo de 542 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano.

O plano de Alierta faz sentido. Se conseguir convencer os acionistas italianos da Telco a permanecer na sociedade até 2015, sem assumir o controle majoritário da holding, a Telefónica conseguiria manter tudo como está. Asseguraria seus investimentos na Telecom Italia, e não precisaria enfrentar desafios regulatórios no Brasil ou se ver forçada a fazer uma oferta pela totalidade das ações da Telecom Italia no caso de o Senado eventualmente aprovar uma emenda à lei de Oferta Pública e ações e a espanhola aumentar sua participação na Telco. Sobre essa movimentação do senado italiano, inclusive, Alierta se recusou a comentar na entrevista ao periódico. "Não quero comentar um assunto que não me envolve", disse.

Mas a manutenção do status quo terá um preço para a Telefónica. Para permanecer na Telco, os acionistas italianos devem exigir mais dinheiro e isso pode se dar com a aquisição de até 49% das ações de controle da Telco (hoje a telefônica detém 46,2%) e ainda aquisição da totalidade das ações preferenciais (PNs) – a Telefónica já havia previsto um segundo aumento de participação no capital total da Telco com a aquisição de até 70% das PNs.

Planos de Patuano

Sobre a atuação dos dois grupos europeus na América do Sul, o executivo foi taxativo em separar as coisas. "Estamos há seis anos na Telecom Italia e nunca pedimos por nada (ao conselho da holding italiana) no Brasil e na Argentina. Não podemos sequer ser informados das atividades da Telecom Italia na região; ficamos apenas no mercado doméstico, o resto não é da nossa conta." César Alierta ressaltou que a venda da Telecom Argentina não é um problema para eles (a mídia italiana criticou a transação, considerando o valor de 714 milhões de euros abaixo do esperado).

Assim, o diretor-executivo do grupo espanhol se mostrou satisfeito "caso as premissas sejam verdadeiras" com as metas estabelecidas pelo CEO da Telecom Italia, Marco Patuano, como investimento em novas gerações de redes (LTE e fibra) no mercado italiano, seguindo as recomendações da Comissão Europeia em promover o aumento da infraestrutura ótica no continente.

Além disso, elogiou a tentativa de amortização da dívida de 28,2 bilhões de euros da Telecom italia. "A relação da dívida líquida com o EBTIDA no mercado doméstico é uma das mais baixas da Europa, menos do que de várias outras operadoras em países que não têm o mesmo potencial, capacidade de consumo e mesmos prospectos de recuperação da Itália", declarou ao periódico. Ele inclusive endereçou as reclamações do grupo Findim, da família Fossati, que lidera uma movimentação dos acionistas minoritários contra os acionistas da Telco. "Fossati está tão preocupado quanto nós em relação ao preço das ações: os objetivos são os mesmos", amenizou.

 

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