Unger, funcionário de Dantas, vira ministro dia 19

O Palácio do Planalto acaba de confirmar para a próxima terça, dia 19, às 15 horas, a posse de Mangabeira Unger na nova secretaria destinada ao planejamento estratégico e ações de longo prazo do governo. Mangabeira, até a meia-noite desta quinta, 14, era funcionário do grupo Opportunity. Ou ainda é, caso ele não tenha cumprido a promessa feita por carta ao juiz Edward Donnelly, da Justiça de Massachusetts, de renunciar ao cargo de trustee da Brasil Telecom no primeiro minuto desta sexta, dia 15.
Mas por que Mangabeira deve ser chamado de funcionário de Dantas, e não da BrT? Porque só o grupo de Daniel Dantas pode demiti-lo ou poderá contratar alguém no seu lugar como "trustee" da Brasil Telecom. Aliás, Mangabeira precisaria ter informado o Opportunity antes de se demitir. É isso que se percebe ao ler "Trust Agreement" da Brasil Telecom, de 2003. Mangabeira era (ou é) o trustee dessa empresa, e como tal era (ou é) responsável pela independência de algumas ações judiciais da Brasil Telecom que envolvem seus acionistas.
Entretanto, diz o Trust Agreement (veja a íntegra do documento em www.teletime.com.br/arquivos/contrato_manga.pdf) que apenas a empresa CVC/Opportunity Equity Partners Administradora de Recursos Ltda pode demitir o trustee e contratar alguém para o seu lugar, ainda que a figura do trustee tenha sido, supostamente, criada para atender aos interesses da Brasil Telecom.
Obviamente, até hoje essa trust só atendeu aos interesses do próprio Opportunity.
O mais curioso é que a empresa do Opportunity responsável por demitir Mangabeira ou contratar o seu substituto tem sede em uma sala em Três Rios/RJ, um conhecido "paraíso fiscal" fluminense, onde as empresas se abrigam para pagar menos impostos. Fica na Rua Manoel Duarte, número 14, em parte da sala 102. O responsável por esta empresa é Dório Ferman, presidente do Banco Opportunity S/A.
Ao que se saiba, Unger nunca avisou o governo, nem à comissão de ética pública, que o grupo de Daniel Dantas teria ingerência sobre sua carreira como trustee da Brasil Telecom, ainda hoje.

Sem agir

Talvez por ainda ter algum vínculo com o Opportunity é que Mangabeira Unger tenha evitado se manifestar quando o grupo de Daniel Dantas recebeu, da Telecom Italia, em 2005, US$ 65 milhões para que a Brasil Telecom retirasse uma ação que movia contra o grupo italiano. Ao iniciar esta ação, a BrT (na época sob o comando de Dantas) alegou que a Telecom Italia teria feito a empresa pagar, com a conivência dos fundos de pensão, um preço superfaturado pelas ações da CRT. O Opportunity recebeu o dinheiro dos italianos e Carla Cico e Samy Arap Sobrinho (então presidente e diretor jurídico da Brasil Telecom) retiraram a ação, mesmo sabendo que o grupo de Dantas já não poderia mandar na empresa. Mangabeira nunca admitiu oficialmente ter sido informado da retirada ou não do processo contra a Telecom Italia, nem se soube do benefício de US$ 65 milhões pago a Dantas. Também nunca contestou Dantas. E administrar esta ação e zelar pela sua "independência" era justamente o seu papel como trustee.
O mais curioso, contudo, é que a Brasil Telecom mantém até hoje um processo contra os fundos de pensão (seus acionistas controladores) em razão do suposto sobrepreço na compra da CRT e cumplicidade no episódio com a Telecom Italia. Aliás, esta é a única ação que ainda está sob a responsabilidade da empresa trust e, portanto, de Mangabeira Unger, funcionário de Daniel Dantas até pelo menos a noite desta quinta.

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