Ericsson: compartilhamento de espectro 4G é saída para 5G antes do leilão

Reconhecendo que o momento de incerteza econômica causado pela pandemia do novo coronavírus (covid-19) pode afetar o cronograma do leilão 5G, a Ericsson já aposta que o compartilhamento do espectro hoje usado pelo 4G poderá habilitar, em um primeiro momento, os serviços de quinta geração mesmo antes da nova licitação.

Em evento online promovido pela fornecedora nesta quinta-feira, 14, o presidente da Ericsson Latam Sul, Eduardo Ricotta, abordou a possibilidade. "Com as frequências disponíveis que nossos clientes [as operadoras] têm, é possível fazer o 5G sem problema algum. É uma alternativa que estamos discutindo com todos eles", afirmou.

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Segundo a empresa, players como a suíça Swisscom e a Vodafone holandesa (no caso, utilizando frequências baixas de 700 MHz e 800 MHz em solução non-standalone) já adotaram a estratégia de convivência do LTE e do 5G a partir do compartilhamento dinâmico do espectro. Para Ricotta, no Brasil a única dificuldade seria verificar a disponibilidade de espectro 4G que poderia ser destinado para a alternativa, visto que o 5G exigirá uma "banda significativa para entregar velocidade correta e latência de um milissegundo".

Adiamento

Diante da pressão de algumas operadoras para que o leilão 5G não ocorra em 2020 por conta da incerteza econômica em meio à pandemia, o líder da Ericsson no sul da América Latina afirmou que o interesse da fornecedora é o mesmo dos clientes. "Queremos que [o leilão] ocorra no momento certo. Também não queremos que aconteça muito rápido, em um momento de incerteza no qual ninguém sabe o que vai acontecer", afirmou Ricotta.

"Quando falamos com a Anatel, o sinal é de que leilão deva acontecer ainda esse ano, mas se não acontecer, provavelmente vai passar para o começo do ano que vem", prosseguiu. Por outro lado, o executivo também lembrou que há risco de prejuízo à inovação do País caso a defasagem da chegada do 5G no Brasil seja muito grande frente outros países.

B2B

Assim como grande parte da indústria, a aposta da Ericsson é que o setor B2B seja o grande propulsor de receitas do 5G: de um potencial de R$ 332 bilhões a ser absorvido pela economia até 2030 com as aplicações, R$ 60 bilhões viriam do consumidor final, frente R$ 76 bilhões da área da saúde, R$ 50 bilhões do agronegócio e R$ 36 bilhões da indústria (além de R$ 113 bilhões gerados por cidades inteligentes).

Neste sentido, o compartilhamento de espectro poderia atender algumas necessidade mais imediatas dos setores produtivos. De acordo com o diretor de soluções e tecnologia de redes da Ericsson, Paulo Bernardocki, não há restrição legal que impeça o adoção da opção. "Alguns pontos regulatórios estão sendo resolvidos agora, como homologação de equipamentos". Segundo o executivo, a conclusão deste trabalho deve acontecer já nos próximos meses.

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