Apesar de crescimento das autorizadas, mercado de telefonia fixa encolhe

Apesar do crescimento das autorizadas no mercado de telefonia fixa, que cada vez mais abocanham a fatia das concessionárias, o Brasil registrou queda no total de acessos individuais em serviço no mês de março, de 0,19%, ou 85.294 acessos a menos que em fevereiro, totalizando agora 44.094.195 linhas fixas em serviço. Note-se que este noticiário não está considerando para os cálculos os 868.511 Terminais de Uso Público (TUPs) das concessionárias, o que elevaria o total de acessos da Anatel para 44.962.706 acessos.

Em 2015, embora tenha havido aumento de base de 83,8 mil acessos em janeiro em relação a 2014, as perdas consecutivas em fevereiro e março deixaram um saldo negativo de 33.993 acessos individuais fixos no ano, retração de 0,27%, de acordo com dados da Anatel divulgados nesta quinta, 14.

Até março, os acessos das autorizadas cresceram 1,84% em relação a 2014, adicionando 327.397 novas linhas em serviço (45.207 apenas no último mês) e agora somam 18.134.695 acessos individuais ativos. Mas isso não foi o suficiente para manter o mercado com saldo positivo no ano. Apesar de a concessionária regional Algar ter conseguido crescer 0,69% em 2015, com 4.839 novos acessos, Oi, Sercomtel e Telefônica perderam 314.564, 245 e 51.420 acessos em suas áreas de concessão, respectivamente. Assim, as concessionárias encerram março com um saldo negativo de 361.390 acessos fixos, recuo no ano de 1,37% em relação a dezembro de 2014 e agora têm 25.959.500 linhas fixas ativas.

De forma geral, mantém-se a tendência da troca de assinantes que deixam as tradicionais incumbents por ofertas mais atraentes de concorrentes, em geral combinadas com serviços de TV por assinatura e banda larga. Não por acaso o grupo América Móvil, que controla Embratel, Net e Claro, tem a maior base de linhas fixas entre as autorizadas, com 11.731.085 acessos em serviço. Em 2015, o grupo adicionou 99.047 novas linhas à sua base, alta de 0,85% em relação a dezembro do ano passado. Mas o grupo ficou apenas em terceiro lugar em adições líquidas no período.

O destaque do consolidado do ano em número de adições líquidas, até o momento, é da TIM, que em 2015 somou 153.032 novas linhas fixas e encerrou março com uma base de 554.690 acessos, alta de 38,10% em relação a dezembro do ano passado. Em segundo lugar, ficou a GVT, com 108 novas linhas em serviço e crescimento de 2,38% em relação a 2014 e uma base total agora de 4.669.613.

Vale ainda mencionar que a Oi conseguiu adicionar 2,848 linhas fixas fora de sua área de concessão, a grande maioria no Estado de São Paulo. Agora a Oi tem 152.548 linhas em serviço em sua autorização. Já a Telefônica/Vivo também viu sua base encolher fora de São Paulo, onde atua como autorizada: era de 606.625 em dezembro de 2014 e agora é de 560.025, queda de 7,68%.

A partir de junho, o cenário deve mudar com a integração entre Telefônica e GVT, processo que deve ser concluído no final deste mês de maio. Isso criará uma operadora competitiva com mais de 5 milhões de clientes, descontada uma pequena sobreposição entre as redes da GVT e da Telefônica concessionária, onde a oferta terá que ser a da concessão.

Concentração

Em termos de dispersão geográfica, houve um aumento na presença das autorizadas de dezembro de 2014 para março de 2013. Hoje, as autorizadas de telefonia fixa estão presentes em 1,845 mil cidades brasileiras e as concessionárias estão sozinhas em outras 3,725 mil cidades. O mercado das autorizadas é muito concentrado em poucas cidades efetivamente rentáveis. Por exemplo, em 1,253 mil cidades não há nem cem acessos, o que mostra que ou são clientes corporativos sendo atendidos ou são usuários esparsos. As 300 cidades com mais clientes concentram 99% dos clientes das operadoras de SFTC competitivas, e 87,6% do mercado estão em apenas cem cidades, o que demonstra que a disputa é mesmo pelas cidades com maior relevância do ponto de vista econômico e populacional.

E a penetração da telefonia fixa no Brasil segue baixa e fechou março com 21,6 acessos por 100 habitantes, considerando apenas os acessos individuais. Se acrescentarmos a essa conta os TUPs, chegaríamos a uma teledensidade de 22,06%. Vale notar que a penetração da telefonia fixa no Brasil está na casa dos 21% desde 2001, com pouca variação, apenas com o crescimento das autorizadas sobre a base das concessionárias.

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