Para associação de TVs dos EUA, leilão de espectro é oportunidade

Segundo o presidente e CEO da NAB, associação dos broadcasters dos Estados Unidos, Gordon Smith, o leilão de espectro prestes a acontecer nos Estados Unidos pode ser uma oportunidade para o setor se preparar para o futuro da mídia, ainda mais fragmentada. Este ano foram leiloadas faixas antes destinadas à radiodifusão no espectro de radiofrequência para as operadoras móveis. Outro leilão acontecerá em breve. As emissoras de TV podem se desfazer de todo o espectro – abrindo mão da presença do canal na TV aberta de uma localidade – ou de apenas parte do seu espectro, passando a dividir uma faixa de 6 MHz com outras emissoras e mantendo a sua presença no line-up da TV aberta e por assinatura local.

Na abertura da NAB Show, que acontece esta semana em Las Vegas, Smith disse que os leilões que já aconteceram foram um sucesso e que os que estão porvir também serão “se a FCC não atrapalhar”. O temor dos radiodifusores é que a agência reguladora dos Estados Unidos intervenha na determinação de preços do leilão.

“Se tiver sucesso, o leilão deixará a indústria com 80% das estações com maior poder de transmissão, mas com apenas 60% do espectro atual”, alertou Smith. No entanto, de acordo com ele, cabe ao próprio setor aproveitar a oportunidade para “fazer mais com menos”.

O presidente da NAB incentivou os radiodifusores a se reinventarem para continuar tendo a relevância regional que têm hoje, mas com mais ferramentas para competir com outras plataformas, sobretudo com maior presença nos dispositivos móveis. “Todas as outras indústrias estão inovando e avançando com suas tecnologias. Ao seguir para uma nova geração, o broadcasting estará atuando defensiva e ofensivamente”, disse Smith. Segundo ele, a defesa estará na habilidade de integrar com parceiros existentes, enquanto a ação ofensiva seria na conquista de flexibilidade para perseguir a ultra-alta definição e a publicidade direcionada, bem como ampliar a transmissão multicanal em canais compartilhados.

“É um tempo crucial para a indústria trabalhar em conjunto para garantir que a arquitetura da TV aberta ‘de um para muitos’ se estenda às plataformas emergentes”, completou.

Mais tranquilidade

Para Gordon Smith, o broadcasting norte-americano passa por um momento menos turbulento. Segundo o ex-senador, quando ele assumiu o comando da associação, há cinco anos, o setor estava desacreditado. Hoje, segundo ele, a radiodifusão é a fonte segura de informação em um universo bombardeado com informações sem procedência, sobretudo na Internet.

Além dos veículos online, Smith atacou os canais de notícias da TV por assinatura, apontando uma polarização no debate político neste canais. Segundo ele, os grupos de mídia regionais são hoje a fonte de informação mais confiável, mais atenta aos fatos.

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