América Latina começa a ter condições para distribuição de conteúdos em banda larga, diz Warner

Até 2012 a América Latina deve ter 28,5 milhões de pontos de banda larga. "Modelos de distribuição como o Netflix podem, então, começar a se desenvolver", disse Carlos Sanchez, diretor executivo para a região da Warner Bros. Digital Distribution, na abertura do Congresso TV 2.0, promovido pelas revistas TELA VIVA e TELETIME nesta terça, 4. Sanchez se referia ao modelo de assinatura disponível nos Estados Unidos pelo qual é possível assistir a um número específico de horas de conteúdo na televisão, através de uma caixinha ligada à banda larga.
Nos Estados Unidos, vale destacar, já existem diversas plataformas de conteúdo audiovisual que usam a banda larga, entre eles o iTunes, a Amazon e o Hulu. Além disso, segundo Sanchez, a distribuição de conteúdo da Warner por plataformas online já acontece também na Suécia, na Noruega, na Bélgica, na Holanda, em Luxemburgo, na Alemanha, na Inglaterra, na Coreia, no Japão e na França. Questionado sobre a importância do faturamento com estas plataformas, Sanchez diz apenas que "é receita importante nos mercados desenvolvidos".
Janelas
Outra polêmica trazida pela distribuição digital de conteúdos diz respeito às janelas de distribuição. Os conteúdos devem estar disponíveis para vídeo-sob-demanda antes ou depois do DVD? Para o diretor da Warner, não há uma política geral na empresa. "Varia conforme o mercado de cada país". No entanto, o executivo relata a experiência de lançamento simultâneo de conteúdos em DVD e nas plataformas de video on demand. "O impacto da campanha de marketing é maior", afirma. Sanchez apresentou o resultado das experiências realizadas nos EUA nas operações da Comcast e da Time Warner. Segundo a Warner, quando os títulos são lançados simultaneamente nas duas plataformas, o consumo de video on demand é de 52% a 96% maior do que o consumo nos territórios onde foi dado um tempo entre as duas janelas. A compra de DVD também apresenta crescimento de cerca de 5%, enquanto o aluguel cai em torno de 5%.
Quantos às janelas que não envolvem cobrança, o executivo apresentou o modelo A-VOD (vídeo sob demanda baseado em publicidade). Segundo ele, os players têm dificuldade em conseguir publicidade para estas plataformas. Mesmo assim, não descarta a venda para este tipo. Contudo, neste caso, prega o modelo defendido pelo presidente da Time Warner, Jeffrey Bewkes, recentemente na NCTA. Bewkes pregou que canais e programas específicos estejam disponíveis em qualquer plataforma, desde que o usuário pague por esse conteúdo em alguma outra plataforma. Seria, segundo Sanchez, uma maneira de conservar o modelo atual, e preservar seus clientes tradicionais, como as operadoras de cabo, ao mesmo tempo em que dá mais flexibilidade ao usuário final.
Long tail
As novas plataformas de distribuição são uma forma de encontrar valor no material de catálogo do grupo, lembra o diretor executivo para a América Latina da Warner Digital Distribution. A empresa, contudo, tem trabalhado apenas em um modelo que chamou de long tail simples. Trata-se de um modelo no qual a Warner faz campanhas de baixíssimo custo, se beneficiando de outros lançamentos, para incentivar o conteúdo de acervo.

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