América Latina precisa de mais espectro para banda larga móvel, diz 4G Americas

Para ter mais banda larga móvel, é necessário destinar não apenas mais espectro, mas também justificar o uso de novas tecnologias com cobertura disponível e serviços acompanhando os planos. Essa é a visão de especialistas que discutiram o assunto nesta segunda, 3, durante conferência da 4G Americas no pré-evento da Futurecom, em São Paulo.

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A recomendação da União Internacional de Telecomunicações (UIT) para 2015 é que os países disponibilizem 1.300 MHz para a banda larga. Segundo o 4G Americas, o Brasil é o País que mais disponibiliza espectro na América Latina, alocando mais de 500 MHz e chegando a 39% da meta. No entanto, de acordo com o diretor da 4G Americas para a América Latina e Caribe, José Otero, é preciso também “pensar o quão factível é alocar esse espectro”.

Ele considera positivo que o governo brasileiro tenha optado pela banda 28, com a canalização da Ásia-Pacífico (ATP700), ainda que a quantidade de dispositivos compatíveis seja pequena. “Teremos mais aparelhos, temos que esperar. Tem que pensar que, no Brasil, a banda não é limpa”, disse Otero. Ele acredita que a economia de escala será possível com a adoção de mais países e com mais fabricantes lançando devices, inclusive multibandas.

Na visão do diretor sênior de relações governamentais da Qualcomm, Francisco Soares, o País se encontra mesmo em uma posição mais confortável, mas ele chama atenção para o problema da decisão da Bolívia. O país decidiu dedicar a banda 13 (plano USA) para o LTE. "O Caribe também optou pela banda 13 e junto com a Bolívia vai fazer totalmente diferente dos países vizinhos, o que pode trazer dificuldades", disse ele, pedindo que a 4G Americas tente intervir de alguma forma.

Há mais problemas além de espectro. Para o diretor de marketing da América Latina da Ericsson, Jesper Rhode, o desafio é conjugar a curva de aumento de consumo de dados com o de receita. “A única maneira para atender a grande demanda é usar as novas tecnologias”, afirma. Levar as pessoas a quererem essas novas tecnologias é possível agregando serviços, como pacotes triple e quad-play, ou promovendo uma aliança com players over-the-top (OTT), ou que as próprias teles implantem serviços OTT, para justificar a saída do 3G para o 4G, por exemplo. “Significa que você ganha aceleração, os OTTs se tornam um canal de vendas”, explica. Rhode diz que não é fácil justificar às pessoas o upgrade de velocidade sem isso. “Você tem que juntar serviços agregados, algumas dessas estratégias bem sucedidas são assim”.

Outro caminho, diz o executivo, é agregar serviços de roaming aos planos pré-pagos em operadoras dos países latino-americanos. “Na Europa, há três ou quatro anos que existem produtos que incluem roaming e tráfego DDI por parte dos pré-pagos também, e esse tipo de evolução é uma oportunidade aqui”, diz Rhode. Ele explica que a percepção é de que esses planos são vistos como destinados ao público de poder aquisitivo mais baixo.

Infraestrutura

Para promover novos serviços, como Internet das Coisas (IoT), smart cities e carros conectados, Francisco Soares diz que é necessário mais esforços. “Em cobertura, estamos até razoavelmente bem. Nos últimos leilões feitos sempre houve obrigações de cobertura. Agora a ideia é focar na qualidade”, diz ele, referindo-se à características de conectividade onipresente e baixa latência para aplicações mais especializadas de IoT. O executivo da Qualcomm diz ainda que é necessário investir no 4G para aplicações em escolas, levando a conectividade para alunos, e não para regiões.

Jesper Rhode acredita que cobertura é, sim, um ponto a ser endereçado, em especial em ambientes indoor, e a maneira de fazer isso é com pequenas células. “Quando observo o investimento, small cells aqui na região está atrasado em relação a outras regiões”, declara.

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