Futuro da mobilidade na TV passa por integração com celulares

As discussões da IBC 2015 sobre a mobilidade na transmissão e recepção dos sinais de TV começam a convergir para uma visão de integração com as plataformas das próprias operadoras de celular. Se durante muitos anos tanto ATSC quanto DVB, os padrões de TV digital aberta dos EUA e Europa, tiveram que correr atrás de uma solução para a mobilidade como tem o padrão nipo-brasileiro (ISDB-TB), o futuro parece ser mais convergente. E o elemento que está forçando essa convergência é a necessidade de uma plataforma que permita, ao mesmo tempo, as transmissões broadcast (um para todos), que os padrões de TV digital já permitem, mas também as transmissões multicast e unicast, que asseguram as transmissões personalizadas e sob demanda.

Sem o uso das redes móveis, nenhum dos padrões de TV digital do mundo tem essa possibilidade, o que coloca a radiodifusão em desvantagem em relação aos serviços over-the-top (OTT). Graham Mills, chairman do DVB, defendeu uma abordagem híbrida no futuro. "O consumo de TV caiu 10% em média nos últimos anos e a audiência está migrado para dispositivos móveis, mas temos um problema de espectro por parte das operadoras de celular. Até 2030 elas precisarão de uma quantidade de espectro de que não dispõem para as transmissões de vídeo". Ele propõe algumas abordagens alternativas que permitam não apenas contornar as limitações de espectro como também dar ao broadcast a possibilidade de personalizar e segmentar os conteúdos.

A primeira abordagem envolve o armazenamento de conteúdos no próprio celular. "O custo de memória tende a cair brutalmente e até 2020 o custo da memória estará em 50 euros por terabyte, o que permitirá aos smartphones armazenarem uma grande quantidade de conteúdos a depender do contexto". Nessa abordagem, as transmissões ao vivo seriam feitas por multicast ou broadcast e o tráfego mais individualizado ficaria em cache.

Outra abordagem proposta por Mills é armazenar os conteúdos mais demandados na borda das redes móveis, ou seja, nas próprias estações radiobase (ERBs). O desenvolvimento desse tipo de solução, diz ele, depende de um esforço concentrado de desenvolvimento e padronização entre operadoras móveis, fornecedores e emissoras de TV para que os padrões sejam interoperáveis. "O desenvolvimento do 5G é uma boa oportunidade para isso", diz ele. Ele também propõe que governos e operadoras busquem formas de estimular o compartilhamento de espectro para transmissões multicast, bem como o compartilhamento das frequências de TV digital para recepção de banda larga móvel onde for possível. Todas estas soluções são mais baratas do que a compra de mais espectro ou o investimento pesado em aumento da capacidade das células.

Os caminhos propostos pelo chairman do DVB são complexos, mas algumas operadoras móveis e radiodifusores estão fazendo testes com alternativas existentes. A BBC testou recentemente as transmissões pelo padrão eMBMS desenvolvido pela Qualcomm. Segundo o diretor de pesquisa da BBC, Andrew Murphy, o padrão de transmissão broadcast/multicast sobre a rede LTE funciona bem, mas tem limitações. Uma delas é justamente o fato de não ser feita para transmissões unicast. Outra crítica é o fato de que o padrão, apesar de desenvolvido e suportado pela maior parte dos processadores Qualcomm embarcados nos celulares, ainda precisa de uma atualização de software nos dispositivos para funcionar.

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