CPqD sugere espectro para utilities e para IoT rural

Foto: Pixabay

Diferentemente do que foi publicado por este noticiário na segunda-feira, 12, a contribuição da Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) na consulta pública realizada pelo MCTIC sobre a estratégia 5G brasileira não sugeriu alterações das leis do Fust e Funttel. Houve um erro de interpretação por parte da reportagem.

A instituição enviou propostas sobre os itens de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I); aplicações; radiofrequência e segurança. A entidade quer que o governo dedique espectro para serviço limitado privado, bem como para conectividade rural. Também fala em implantar mecanismos de fomento à PD&I com a tecnologia móvel, especialmente para fins de segurança e defesa.

O CPqD aponta a necessidade da disponibilidade de infraestrutura de conectividade em áreas rurais. Destaca que redes 5G poderão possibilitar a redução dos custos de implantação e operação nessas regiões, especialmente nos casos de uso relacionados a IoT. "Para tanto, a ampliação do uso do espectro em faixas abaixo de 1 GHz e a disseminação e criação de modelos de operação privados podem contribuir significativamente para viabilizar a ampliação da infraestrutura de conectividade nas áreas rurais e remotas do país."

O Centro de Pesquisa também destaca a importância da tecnologia para utilities e, por isso, sugere que se dedique espectro para esta vertical, "embora a tecnologia de fatiamento de rede habilite o compartilhamento de uma rede pública". A entidade afirma ainda que "questões econômicas e operacionais das operadoras de SMP podem se mostrar como barreiras neste compartilhamento. A destinação de uma faixa do espectro a ser compartilhada por todos os agentes do segmento de utilities, incluindo a possibilidade de uso de redes privadas, poderia trazer ganhos ao setor e à sociedade".

Ainda, na relação com os órgãos de outros setores, o CPqD destaca que a conectividade propiciada pelas redes 5G irá trazer novas soluções de Cidades Inteligentes. Porém, para viabilizar todos os benefícios que a tecnologia poderá trazer, "as lideranças municipais terão um papel decisivo na adoção de medidas que incentivem operadoras de telecomunicações a investir na implantação de infraestrutura 5G em seus municípios ou, opcionalmente, na própria implantação de redes privadas municipais".

O CPqD também elaborou sugestões na área industrial, como incentivo a implementação de estrutura 5G em polos industriais e integração de projetos de infraestrutura com outros grupos tecnológicos, por exemplo: IoT, computação em nuvem, sensores e atuadores, Big Data, inteligência artificial, robótica avançada e o fomento a projetos em manufatura avançada e verde. A instituição menciona que, na área de educação, a tecnologia tem potencial para a oferta de banda larga a custos inferiores em relação aos cobrados por soluções de fibra ótica, tornando-se uma opção para o programa Educação Conectada do Ministério da Educação.

Espectro

O CPqD destaca que as frequências sub-GHz têm sido apontadas como as mais propícias para a implantação de redes IoT por conta da capacidade de cobertura e penetração. Também menciona que as faixas licenciadas de 450 MHz e 700 MHz, voltadas ao uso do SMP, têm sido utilizadas em diversos testes das operadoras. No entanto, fala em alternativas. "Com o atual impasse sobre a destinação da faixa de 450 MHz e a disponibilidade de 10+10 MHz na faixa de 700 MHz para leilão SMP, sugere-se que todas, ou pelo menos partes destas faixas, sejam canalizadas em blocos de 200 kHz. Tal recomendação de canalização se apoia no atual cenário de submissão de propostas de tecnologias para o ITU-R WP 5D, onde o conjunto NR+NB-IoT tende a ser adotado como RIT/SRIT (Set of Radio Interface Technologies) do IMT-2020 (5G), e 200 kHz é a largura de banda de cada canal do padrão 3GPP NB-IoT."

Ainda, sobre o tema, a fundação faz uma análise sobre o emprego das frequências para a implantação do 5G no resto do mundo e sugere ao governo brasileiro "considerar o uso de sistemas de compartilhamento dinâmico de espectro, principalmente em faixas que já usam a tecnologia em outros países, visando a harmonização internacional do espectro e a inserção do Brasil em um ecossistema de fornecedores já existentes. Isso agregaria um maior potencial de disseminação da tecnologia 5G em áreas rurais, em áreas de baixa atratividade comercial e, principalmente, em redes limitadas privadas".

PD&I

Em relação à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) no ambiente 5G, o CPqD propõe constar da Estratégia Brasileira para o 5G o objetivo de fortalecer os Centros de Competência em TIC, militares e civis, que se dediquem à pesquisa, desenvolvimento e inovação da tecnologia de quinta geração voltadas para os cenários e aplicações de interesse de órgãos da Defesa e Segurança Pública nacional.

O CPqD sugere, ainda o estabelecimento de ações de PD&I alinhadas com a tendência tecnológica de desagregação entre hardware e software e fomento à indústria nacional em componentes de alto valor agregado para redes 5G. O argumento é que as redes de acesso rádio estão passando por uma significativa transformação, buscando-se a desagregação entre o software e o hardware. "Além disso, há uma busca constante pelo uso de hardwares não especializados (servidores comerciais, por exemplo), que hoje já são capazes de atender às necessidades de processamento da unidade banda-base (BaseBand Unit – BBU), levando à adoção de soluções virtualizadas (vRAN) e até mesmo de soluções RAN que sejam totalmente implementadas na nuvem (cRAN)."

A instituição entende que devem haver ações com o setor aeroespacial para PD&I em redes não terrestres, voltadas às coberturas rurais e remotas. Além disso, fala na criação de uma Rede Experimental na qual pesquisadores, empresas, professores e alunos possam trabalhar com redes 5G efetivamente operacionais, favorecendo a pesquisa aplicada.  O CPqD também propõe que na estratégia em construção, as inovações ligadas à operação das redes 5G, principalmente com a aplicação de Inteligência Artificial sejam contempladas em futuras políticas de incentivo. Além disso, também sugere o desenvolvimento de projetos de PD&I em tecnologias de backhaul, midhaul e fronthaul.

Segurança

O CPqD argumenta que há necessidade de fomento para a criação de um Centro de Referência em Segurança Cibernética (CRSC), cujo principal objetivo seria de estabelecer um ecossistema de referência nacional e internacional. Com isso, afirma que se pretende inserir a segurança da informação e privacidade "em diferentes contextos necessários tecnológicos, sociais e econômicos com o desenvolvimento contínuo, aplicação de técnicas e fomento ao desenvolvimento de regulamentação em segurança cibernética, capazes de definir mecanismos para o estabelecimento de laboratórios especializados e para a execução de atividades laboratoriais relacionadas ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias de segurança e à realização de atividades de certificação e homologação de redes, dispositivos, equipamentos, soluções, tecnologias, serviços e aplicações".

Missão crítica

No que diz respeito às aplicações, o CPqD sugere a inclusão de aspectos associados às potencialidades e oportunidades propiciadas pela tecnologia 5G para suportar aplicações e serviços de missão crítica requeridos por entidades das áreas de Defesa e Segurança Pública na Estratégia Brasileira para a Transformação Digital (E-Digital). A entidade explica que esses órgãos "requerem sistemas de comunicação sem fio de banda larga que permitam o uso em aplicações que demandam altas taxas de dados, de maneira robusta, com alta confiabilidade e disponibilidade." Adicionalmente, ressalta a instituição, "tais necessidades incluem: segurança nas operações; interoperabilidade com outras redes, serviços e sistemas; comunicações privadas e em grupo; e capacidade de priorização, preempção e garantia de qualidade de serviço em ocorrências de emergência."

Em função disso, o CPqD destaca os serviços dessas redes especializadas de missão crítica como push-to-talk, comunicação de vídeo, e conexão de dados para usuários em campo. Inclui a capacidade de comunicação em grupo, serviços de proximidade (ProSe) e células isoladas (antenas móveis), "comumente utilizadas em cenários de conflitos urbanos e eventos esportivos, onde se faz necessária a implantação de uma infraestrutura de comunicação dedicada e temporária".

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