Dados são essenciais para financiamentos em telecom, afirma BID

No 15º Encontro Nacional da Abrint, que acontece em São Paulo esta semana, especialistas que participaram de painel sobre financiamento para pequenos provedores apontaram a importância da coleta de informações adequadas sobre as operações para facilitar o acesso dos pequenos provedores a políticas de financiamento.

Luiz Guilhermo Lopez, Especialista líder em Telecomunicações do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), disse que, hoje, a instituição financia algo em torno de R$ 560 bilhões em projetos focados em transformação digital na América Latina e Caribe, sendo que só no Brasil, são R$ 100 bilhões em projetos financiados nos últimos cinco anos.

Para direcionar recursos para a área de conectividade, a instituição usa tecnologia de ciência de dados para entender o setor. "Temos estudado muitos setores. Financiamos o Brasil Mais Digital que tem cinco áreas estratégicas como evolução regulatória, crédito para conectividade, infraestrutura", disse.

Notícias relacionadas

No caso dos pequenos provedores, Lopez disse que o BID já notou que existe uma escassez de crédito de longo prazo e baixo custo e aponta com causas para este cenário a assimetria de informações, além do custo de transação e governança. O banco tem disponível US$ 400 milhões entre 2022 e 2024 para financiar projetos de conectividade e transformação digital no Brasil.

Janyel Leite, Vice-Líder do Conselho de Administração da Abrint, destacou a atuação da entidade junto aos seus associados para a importância no fornecimento de informações corretas.

"Hoje estamos vendo aqui como dados são importantes. Por isso, cada provedor deve informar seus dados. Para conseguir financiamento, é importante cuidar disso", defendeu o dirigente. "A Abrint tem encampado essa luta, ajudando os pequenos provedores a gerir e fornecer dados para conseguir acessar estes recursos", afirmou Leite.

O representante do BNDES, Carlos Eduardo Alves, destacou que para os pequenos provedores terem acesso aos recursos para construção de redes ofertados pelo Banco, é exigido como contrapartida a atualização do sistema de Coleta da Anatel.

Facilitar acesso aos recursos

Além do fornecimento de dados ser um dos aspectos para pequenos e médios provedores terem acesso a recursos para financiar infraestrutura, outro ponto importante é que regras sejam criadas para facilitar o acesso.

Luiz Henrique Barbosa, presidente executivo da Telcomp, acredita que isso passa, por exemplo, em uma economia dos gastos públicos. "Quando discutimos mecanismos de acesso, estamos discutindo também gastos público. Hoje, diversos recursos vão para financiar a dívida pública", afirmou.

Barbosa também concorda que é importante que a grande dificuldade está em ajudar o Ministério das Comunicações em encontrar formas de como estes recursos podem chegar para os pequenos provedores.

O diretor de política setorial do Ministério das Comunicações, Juliano Stanzani, também aponta que é preciso encontrar formas de como esses recursos devem chegar de maneira mais fácil para os pequenos e médios provedores. "Acho que temos o desafio que é fazer o bolo do financiamento crescer. E também, fazer com que a fatia desse bolo seja entregue a vocês. O setor de telecom contribui muito com recursos para fundos setoriais, e os usa muito pouco", disse.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!