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Para Oi, incorporar Globenet na InfraCo elimina risco cambial e traz sinergias

Mapa da rede da Globenet

A proposta vinculante do BTG Pactual para conseguir o direito de cobrir (right to top) outros lances no processo de concorrência da InfraCo tem um intricado modelo de possibilidades de pagamento, e a incorporação da Globenet é um elemento chave. Basicamente, caso o BTG seja o vencedor no processo, os pagamentos referentes ao contrato de locação de longo prazo (LTLA, na sigla em inglês) até 2024 serão efetuados pela Oi em duas parcelas, desta vez negociadas em reais, e não mais em dólar. 

Para a Oi, o beneficio de incorporar a Globenet é que, além de ficar com uma empresa maior, a InfraCo poderia eliminar pelo menos uma parte do risco cambial no contrato do LTLA ao converter em reais.

Na prática, o valor das duas últimas parcelas a serem pagas para a Globenet voltaria à Oi, virando um “elas por elas”. Segundo a CFO da Oi, Camille Faria, isso acontecerá porque há uma “correspondência perfeita” no fluxo de caixa entre as duas empresas nas obrigações entre o prazo e moeda. A operadora negociou para que o valor dessas duas parcelas, referentes ao acumulado de 2022 a 2024 do LTLA, fosse convertido em reais, com valor de face atualizado pela taxa Selic. 

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No total, o valor justo estimado da Globenet para dezembro de 2021, com base de caixa livre/dívida livre, é de R$ 5,267 bilhões. Como tem os R$ 3,748 bilhões em obrigações (ou seja, a soma das duas parcelas de 2022 e 2023), o valor da contribuição no final seria de R$ 1,519 bilhão, correspondente a 6,8% de participação a mais para o BTG na InfraCo. Essa etapa ocorrerá 90 dias após a assinatura do contrato, sendo então parte da estrutura pós-fechamento do negócio.

Procedimento

Primeiro, a Globenet (como uma das empresas representadas na proposta do BTG) pagará na assinatura do contrato uma parcela de R$ 2,762 bilhões para a Oi, inteiramente em dinheiro. Até dezembro de 2022, a Oi fará o pagamento de da parcela de R$ 1,323 bilhão. Até dezembro de 2023, será uma segunda parcela de R$ 2,425 bilhões, também com em câmbio constante e atualizado pela Selic. 

“Será exatamente os mesmos valores pagos pela Globenet. Então as duas transações vão permitir uma correspondência perfeita do fluxo de caixa”, declara Faria. Há ainda uma parcela primária adicional de R$ 1,618 bilhão, mas esta seria com valor atualizado pelo IGPM desde o fechamento até o pagamento de fato à Oi. 

Em 2024, não haverá mais pagamento em reais pelo contrato de capacidade entre Globenet e Oi. Mas em 2025, ele será retomado até completar os 13 anos previstos inicialmente – ou seja, em 2028. As parcelas voltarão a ser em dólar, somando assim US$ 1,061 bilhão. Em valores de hoje, representam R$ 6,066 bilhões. 

O CEO da Oi, Rodrigo Abreu, diz que os acordos de longo prazo com a Globenet “vão continuar a existir para prover capacidade” para a operadora. “Mas na realidade, as obrigações não mudaram, o que mudou foram os ajustes de fluxo de entrada por conta do ‘match’ das obrigações de uma com a outra”, declarou. 

O executivo coloca que, na perspectiva de receber em três parcelas, o dinheiro recebido poderia ser antecipado. Ele reforça que não há mudanças de fluxo de entradas e saídas, mas de obrigações. “Será com pagamento em reais, que foi uma forma interessante de garantia para nós, mas também será [interessante] para a Globenet, já que [a Oi] poderá cumprir as obrigações.”

Sinergias

Na visão de Abreu, a incorporação da Globenet à InfraCo traz “sinergias estratégicas e operacionais”, com potencial de tornar a empresa de infraestrutura – vendida pela própria Oi em 2013 para a o BTG Pactual – em uma grande plataforma de conexões digitais com soluções “on-stop shop”, conectividade internacional, conteúdo global e soluções de ponta à ponta, tanto local quanto internacional. “Fundindo as companhias, haverá economia de custos com serviços compartilhados, imóveis e última milha”, afirmou ele na teleconferência.

A InfraCo assim absorveria mais de 23 mil km do sistema de cabos submarinos da Globenet que conectam os Estados Unidos o Caribe ao Brasil. Além disso, a empresa está desenvolvendo um projeto de conexão submarina entre Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza, e tem operação de data centers no Brasil e na Colômbia. 

“Acreditamos que foi um valor justo, considerando ativos e sinergias que virão para a companhia no futuro. E tudo será validado por um auditor independente”, declarou Rodrigo Abreu.

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