Life leva o IPTV ao interior paulista para combater os provedores grandes

Para provedores menores, a concorrência com as empresas que atuam em larga escala é cada vez mais difícil, principalmente em grandes centros. Mas a resposta pode estar na demanda reprimida em lugares menos óbvios. A operadora Life, que atua no centro-oeste paulista, optou por esse caminho. Ela já conta com oferta de telefonia e banda larga utilizando uma infraestrutura de cabos óticos montada na cidade de Marília desde 2007, e ainda em expansão. Para a segunda metade do ano, a aposta é aproveitar a fibra para oferecer também um serviço de IPTV no interior de São Paulo.

Isso se tornou possível graças à aprovação da lei que instituiu o Serviço de Acesso Condicionado (SeAC), mas a Life já testava protótipos e plataformas de TV por FTTH antes disso. O que impulsionou a empresa a lançar o serviço comercialmente a partir de julho deste ano foi justamente a oportunidade de enfrentar menos adversários. "Tínhamos expectativa de colocar TV paga em cidades pequenas, onde havia menor concorrência e menos disponibilidade de serviço. Aí pensamos: vamos fazer o contrário das grandes, vamos começar das pequenas", explica o diretor da provedora, Oswaldo Zanguettin Filho.

A Life se associou a Neo TV, associação que representa e negocia programação para operadores independentes de TV por assinatura, e preparou o plano de ataque para as cidades paulistas de Marília, Pompeia e Garça. Essas últimas já possuem cobertura total com a fibra da empresa. "Não tenho Marília toda cabeada, mas devo ter uns 60%. Nossa meta é cabear toda a cidade até o meio do ano que vem", explica Zanguettin. Depois disso, a empresa deverá também cobrir mais cinco cidades na região com a fibra.

A ideia é levar um serviço simples no começo, oferecendo um modem na casa do usuário com os sinais de TV, de Internet e telefonia já separados, para não precisar de um segundo aparelho do tipo BSS apenas para decodificar o sinal embaralhado. "Uma coisa que andei percebendo em outros projetos é que (as empresas) fizeram uma rede logicamente junta e, na verdade, no nosso projeto de rede lógica, a rede vai levar todos os sinais separados". Mas Oswaldo Zanguettin reconhece que não é uma prática muito comum. "Acho que é a configuração mais robusta, mas é de maior dificuldade de implementação porque tivemos de solicitar a mudança de equipamentos e de firmware", conta. "Queremos uma plataforma para não ter algo muito complexo e ir colocando alguns serviços interativos aos poucos."

Por enquanto, a plataforma de IPTV está sendo escolhida entre três opções (duas com tecnologia nacional e uma internacional). O cliente poderá contar com gravação de vídeo (DVR), mas talvez a função não possa estar disponível no lançamento, embora o executivo garanta que seja liberada ainda em 2013. "Precisamos suprir uma necessidade que é ter o serviço, então colocaremos o tradicional, com programação boa, com preço de mercado e estamos focando nisso. Mas a tarefa é difícil, a engenharia financeira é pesada".

Concorrência complicada

A oferta será triple play, junto com Internet de velocidade de no máximo 20 Mbps para o assinante residencial. Mas o foco primeiro será em levar ao cliente um pacote competitivo no preço, mas com um serviço com as vantagens que a fibra pode oferecer, como conexão estável e o sinal de TV sempre disponível mesmo em situações climáticas adversas, ao contrário da tecnologia DTH. "Lógico que competir com a Net e seus preços é bem complicado. O que estamos fazendo é equalizar os preços e aí ganhar na qualidade". De qualquer forma, Zanguettin acredita que os combos acabarão por virar commodities entre todos os provedores, e que "R$ 5 ou R$ 10 não farão diferença" para o consumidor.

Mercado corporativo

Por isso mesmo, a briga será nos detalhes. A Life planeja também oferecer outros serviços corporativos, como cloud e um data center, que está sendo construído no mesmo local do backbone da companhia, em Marília. "Estamos projetando uma sala específica, em um ambiente certificado. Estamos trabalhando com a Furukawa e queremos entrar em operação até o meio do ano que vem", revela.

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