EUA voltam a acusar a Huawei de espionagem e roubo de segredos industriais

A Huawei voltou a sofrer acusações por parte do governo dos Estados Unidos nesta quinta-feira, 13. O Departamento de Justiça (DoJ) emitiu nota acusando a fornecedora chinesa de conspiração criminosa e roubo de segredos industriais. Além disso, a acusação também afirma que a companhia teria negócios na Coreia do Norte e de que teria auxiliado o governo do Irã a fazer vigilância doméstica. Ambas as nações são sujeitas a bloqueio pelos EUA, pela União Europeia e/ou pelas Nações Unidas.

O ofício com a denúncia foi enviado na quarta-feira, 12, no tribunal federal em Brooklyn, Nova York. A Huawei e duas de suas subsidiárias – Skycom Tech e Futurewei Technologies – foram enquadradas por conspiração ao violar a lei de organização corrupta e influência criminosa (RICO, na sigla em inglês). Há acusações também a CFO Wanzhou Meng, filha do CEO Ren Zhengfei e, por isso, herdeira do grupo chinês que foi presa no final de 2018, no Canadá, a pedido dos EUA

Denúncias reincidentes

Não são exatamente novas denúncias. Muito do que foi apresentado pelo governo norte-americano já havia sido alegado anteriormente. Conforme apresenta o DoJ, a suposta prática da companhia de roubo informações se junta a outras acusações de "utilização de fraude e esquemas para apropria indevidamente tecnologia de concorrentes norte-americanos". As acusações alegam que a companhia tem realizado esforços "de décadas", tanto nos Estados Unidos quanto na China, para se apropriar de propriedade intelectual, incluindo seis companhias de tecnologia norte-americanas. 

Entre as propriedades que teriam sido alvo estão código fonte e "manual de usuário" de roteadores de Internet, tecnologias de antena e de testes de robôs. Ainda conforme a acusação, a Huawei e suas subsidiárias teriam reinvestido os lucros dessa suposta atividade criminosa nos negócios mundiais da empresa, incluindo na sede nos Estados Unidos. 

Novamente, o governo norte-americano alega que a companhia teria desonrado acordos para se apropriar da tecnologia, além de recrutado funcionários e mesmo professores para obter os recursos. Isso tudo era incentivado por uma política de bônus de recompensa. Com isso conseguiu corte de custos e de pesquisa, "dando à companhia uma vantagem significativa e injusta". Ao serem confrontados com as acusações por investigadores e a FBI, representantes da Huawei teriam promovido "condutas obstrutivas" para minimizar o risco de litígio e potencial investigação criminosa.

Até o momento, a Huawei ainda não se pronunciou sobre o caso.

Espionagem nos EUA

As acusações do DoJ aparecem na mesma semana em que reportagem do Washington Post afirma que a CIA teria tido acesso a comunicações criptografadas de "aliados e adversários" dos Estados Unidos "por décadas". A própria Huawei se posicionou na quarta-feira, 12, conectando a informação com as denúncias de ciberespionagem e backdoors do ex-colaborador da CIA, Edward Snowden. "Alegações dos EUA de que a Huawei utiliza interceptação ilegal não são nada mais do que uma cortina de fumaça – elas não aderem a qualquer forma de lógica aceita no domínio da cibersegurança", disse a empresa em comunicado. "Se os EUA descobrirem violações da Huawei, nós solenemente pedimos de novo que divulguem a evidência em vez de usar a mídia para espalhar rumores", conclui.

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