GSMA pede mais liberação de ondas milimétricas para 5G

A associação global de operadoras móveis GSMA voltou a se manifestar pela liberação de mais espectro para a indústria. Em comunicado nesta quarta-feira, 12, a entidade afirma que o desbloqueio de frequências ultra-altas para 5G poderia adicionar US$ 565 bilhões ao PIB mundial entre 2020 a 2034, em uma estimativa conservadora. Ela defende que esses resultados dependem de apoio dos governos para identificação de "espectro suficiente" em ondas milimétricas (mmWave) na próxima Conferência Mundial de Radiocomunicação da União Internacional de Telecomunicações (UIT) em 2019.

A avaliação da GSMA é baseada no relatório "Benefícios socieconômicos dos serviços 5G fornecidos em mmWave", produzido pela consultoria TMG para a entidade e que examina e quantifica o impacto das ondas milimétricas (e que pode ser baixado clicando aqui). Para a América Latina e Caribe, a contribuição das ondas milimétricas para o crescimento do PIB no período seria de US$ 20,8 bilhões, o que corresponde a 1,2% do aumento do PIB. A região ainda geraria US$ 5,8 bilhões em impostos.

No recorte apenas da América Latina e Caribe, o Brasil será o líder na contribuição ao PIB com as ondas milimétricas, com quase a metade (47%) do total. México será o segundo maior mercado, com 29%, seguido da Colômbia, com 9%. Os demais países da região somariam 16%. Considerando todas as Américas, os Estados Unidos seriam responsáveis por 88% das contribuições ao PIB. Em seguida viria o Brasil, com 5%; México, com 3%; Colômbia; com 1%; e o restante de países, que juntos somam 3%.

No mercado latino-americano, a vertical que mais contribuirá será a de agricultura e mineração, com 34%, seguido de manufatura e utilities, com 28%. Vale notar que as TICs e comércio serão parcela menor, com 14%.

Ainda de acordo com o estudo, a maior parte do crescimento previsto para o PIB com essas frequências ultra-altas será das regiões Ásia-Pacífico e Américas, com US$ 212 bilhões e US$ 190 bilhões, respectivamente. Já a Europa contribuiria mais em termos de crescimento, com 2,9%.

O estudo usa como base a previsão da TMG de crescimento de US$ 42,145 trilhões do PIB mundial o período. Considerando a 5G (e não apenas as mmWave), o impacto no PIB seria de US$ 2,2 trilhões, ou 1,3% do total da economia global. As ondas milimétricas ainda contribuiriam com US$ 152 bilhões em receitas de impostos, produzindo 25% do valor criado pela 5G (no total, será de US$ 588 bilhões).

Na visão da entidade, além das vantagens para atender a demanda de dados, as economias de escala com a harmonização de espectro estimulariam um crescimento ainda mais rápido da 5G. A associação afirma que as regiões da África subsaariana, Ásia Central e América Latina e Caribe poderiam ter crescimento da contribuição do PIB das aplicações 5G em mmWave de mais de 65% no período de 2026 a 2034. "Tomar decisões certas agora sobre espectro para 5G será vital para estimular o rápido crescimento das economias, especialmente nos mercados em desenvolvimento, na próxima década", disse o diretor de espectro da GSMA, Brett Tarnutzer, em comunicado.

Espectro e capacidade

As faixas defendidas pela GSMA para a conferência da UIT são as de 26 GHz, 40 GHz e de 66 a 71 GHz. A entidade cita o crescimento do espectro de 28 GHz "como uma importante faixa em mmWave", apesar de não declarar apoio formal e de a frequência não estar no escopo da discussão da WCR-19. Porém, nota que a banda já está sendo usada em lançamentos comerciais de 5G nos Estados Unidos, e que também será adotada em países como Coreia do Sul, Japão, Índia e Canadá. Historicamente, a posição da Anatel é contrária à destinação de 28 GHz para serviço móvel, uma vez que ela é usada para a banda Ka satelital.

Interessante notar ainda que o relatório da GSMA recomenda que governos liberem uma quantidade "adequada" de espectro mmWave, mas "sem inflacionar os preços" em leilões para permitir investimentos em infraestrutura de rede e redução no custo de dispositivos. E sugere que deixem disponível um contingente de 80 a 100 MHz por operadora em faixas médias (citando a frequência de 3,5 GHz como exemplo), e de 1 GHz por tele em ondas milimétricas.

Ainda em consulta pública da Anatel, a faixa de 3,5 GHz – que pode só ser leiloada em 2020 – tem atualmente 200 MHz de capacidade para ser disponibilizada para todas as operadoras. O relatório da GSMA destaca que o Brasil também considera a destinação das faixas de 26 GHz, 40 GHz e de 66 a 71 GHz.

1 COMENTÁRIO

  1. A banda a que a ITU se refere como de 26 GHz (24.25-27.5 GHz) e referida pelo FCC como de 24 GHz (24.25–24.45 GHz & 24.75–25.25 GHz) e um subconjunto daquela (v. https://is.gd/PWayWX). Ja a banda a que a ITU se refere como de 40 GHz (37-43.5 GHz) e referida pelo FCC como de 37 GHz (37-38.6 GHz) e de 39 GHz (38.6-40 GHz) sao subconjuntos daquela (v. https://is.gd/thtsUw). Portanto, ha mais concordancia entre a ITU e o FCC que este relatorio deixa a entender.

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