Interferências: área técnica da Anatel prefere modelo de migração para banda Ku

Foto: Pixabay

Se depender da área técnica da Anatel, a solução para o problema das interferências sobre a recepção dos sinais de TV via satélite (TVRO) decorrentes do uso da faixa de 3,5 GHz para o 5G será a migração dos canais abertos que hoje operam na banda C para a banda Ku. É o que está proposto na minuta de edital de 5G encaminhada ao conselho diretor da Anatel esta semana. A decisão final cabe ao conselho, obviamente, mas a área técnica da agência comparou os dois caminhos possíveis (mitigação com instalação de filtros nas antenas de banda C e a migração total para a banda Ku) e concluiu que, mesmo que a migração para a banda Ku seja mais onerosa, é estrategicamente mais vantajosa, e por isso faz a recomendação para que o conselho siga por este caminho.

Pelas análises dos técnicos da agência, o modelo de migração para a banda Ku terá um custo de R$ 1,64 bilhão. Estes custos estão atrelados à distribuição de kits de banda Ku para residências de baixa renda incluídas nos programas do Cadastro Único e que estejam em áreas sem serviço de TV digital terrestre. São estimados 6,9 milhões de domicílios enquadrados nessa categoria, considerados 77% de adesão ao programa e um custo médio do equipamento de R$ 360, além de um custo de cerca de R$ 100 milhões com divulgação e operacionalização do programa. A Anatel não está considerando a instalação, porque entende que isso é responsabilidade do cidadão, e não do governo, a exemplo do que foi o processo de migração da TV analógica para a TV digital realizado em decorrência da limpeza da faixa de 700 MHz.

A Anatel aponta que o satélite SES 14 seria o que tem melhores condições de receber os canais, mas esta decisão seria tomada pelos radiodifusores, propõem a agência. Para a Anatel, o modelo de migração está mais maduro, e tem como vantagens liberar mais espectro no futuro e alinhar a transmissão de TV via satélite às políticas de TV digital.

Mitigação

Já a alternativa que mais agrada as empresas de telecomunicações, que é o modelo de mitigação por filtros nas antenas de banda C, tem um custo menor, mas para a Anatel há desvantagens e incertezas. A agência coloca dois valores para esse modelo. Se forem mantidas as transmissões analógicas como é hoje, o custo seria de R$ 388 milhões, considerando que serão necessários filtros em 3,9 milhões de residências, também considerando uma taxa de adesão ao programa de 77%, mais um investimento de R$ 88 no filtro e R$ 144 para antenas que precisariam ser trocadas. Assim como o modelo de migração, a Anatel não considera instalação, e os mesmos R$ 100 milhões para divulgação e operacionalização do programa.

Mas o custo do modelo de mitigação sobe para R$ 1,1 bilhão caso o programa pretenda também promover a digitalização dos serviços de TVRO, ou seja, permitir que todos os usuários tenham o serviço digital de recepção do sinal de TV via satélite.

A Conexis, que representa as operadoras de telecomunicações, apresentou recentemente estudo elaborado pela LCA que até chega a um valor semelhante para o modelo de migração (R$ 1,8 bilhão para 4,8 milhões de domicílios elegíveis, contra 6,9 milhões estimados pela Anatel), mas coloca um custo de R$ 224 milhões para o modelo de mitigação, pois considera que o filtro seria necessário em apenas 1,37 milhão de domicílios.

Há, obviamente, premissas bastante diferentes entre os dois cálculos. Mas a Anatel considera que as operadoras de telecomunicações estão desprezando a ampliação do 5G ao longo do tempo fora dos grandes centros na faixa de 3,5 GHz. O modelo de mitigação por filtros, diz a Anatel, também tem o problema de partir de um ecossistema de equipamentos ainda pouco maduro, considerando que apenas um protótipo atendeu aos requisitos mínimos exigidos. As teles afirmam que não há impeditivos técnicos.

A área técnica da Anatel não vê risco de que o modelo de migração para a banda Ku atrase a implantação de 5G pois considera que nas capitais já seria possível ativar as redes de 5G em 3,5 GHz ainda em 2021, quando seriam assinados os termos de autorização; 2022 para cidades com mais de 500 mil habitantes; 2023 para cidades com mais de 200 mil habitantes; 2024 para cidades com mais de 100 mil habitantes e; a partir de 2026 para as demais cidades.

A decisão final sobre o modelo a ser seguido caberá ao conselho. A Procuradoria-Federal Especializada da Anatel já havia se manifestado sobre a adequação de uma solução que considere o aspecto estratégico, ainda que haja discrepância de preço.

3 COMENTÁRIOS

  1. …até que enfim surgiu uma notícia coerente ! …a premissa técnica é mandatória nisso…até pq, antes de 'tudo' devem considerar por uma solução que 'funcione' em campo (e será 100% confiável 'migrar' os usuários TVRO para banda Ku) . E tbm será útil para as Teles no 5G (em 3,5GHz/i.e =3,3~3,8) poderem se planejar melhor e começar em ~2022 e se expandirem pelo país, sem tantas restrições técnicas…como aconteceria numa 'pseudo convivência' do 5G com a banda C (visto que, trocar o LNBf cientificamente é temerário, ilógico, restritivo e imprevisível (o impacto danoso, nos próximos anos).

    • …digo ' migrar o TVRO para banda Ku dos clientes finais (consumidores)…e já para os TVRO 'profissionais' , existem opções/soluções técnicas conhecidas e 'viáveis ' (e mais caras) . Ainda poderá acontecer que em alguns outras casos específicos , nem mesmo o TVRO profissional irá funcionar (corretamente).

  2. Claro, progresso em primeiro lugar, não esqueça quem vai pagar a conta, é fácil falar bonito, pra quem não usa banda c, não estão nem aí mesmo, quem liga não é mesmo??, Deveriam primeiro fazer funcionar a 4g primeiro, inclusive em várias partes do litoral catarinense, e fingem que não tem problema, mal tem cobertura, não funciona em muitos lugares, óbvio, foco, grandes centros, retorno rápido.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

I accept the Privacy Policy

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.