Echostar desiste do DTH no Brasil; Anatel aprova rescisão de posição orbital

A Anatel decidiu rescindir, bilateralmente, o direito de exploração de satélites outorgado à Echostar para a exploração da posição orbital 45°O e as respectivas faixas de frequência nas bandas Ku, Ka e S. A outorga havia sido conquistada em leilão pela Echostar em 2011, na maior arrecadação já obtida por uma posição orbital: cerca de US$ 90 milhões, depois de uma forte disputa com a Sky. No começo de 2017, para cumprir as obrigações do edital, o grupo Echostar, do empresário Charles Ergen (também controlador da Hughes e da operadora de DTH Dish) lançou um satélite (Echostar XXIII) específico para ocupar a posição orbital nas frequências licitadas, mas sem nunca efetivamente operar. Este ano a empresa formalizou o pedido de renúncia os direitos de exploração da posição. Somando posição orbital, satélite, seguro e lançamento, estima-se que o grupo tenha feito um investimento de quase US$ 500 milhões para ocupar a posição 45°O . O satélite ainda pode ser remanejado para outras posições onde haja previsão das mesmas frequências.

Tentativas

Em 2012 e 2013, a Echostar tentou várias formas de entrar no mercado de TV paga brasileiro, trazendo a sua operadora de DTH Dish para o Brasil. Negociou com a Oi, com a Telefônica e chegou a firmar um memorando de entendimentos com a GVT, mas as negociações nunca foram concluídas. Sem um parceiro local e com o início da crise no mercado de TV paga, a Dish deixou de dar sinais de interesse no Brasil e o grupo focou sua estratégia apenas na oferta de banda larga via satélite com a HughesNet.

Fusão

Recentemente, a Bloomberg passou a especular sobre a possibilidade de uma nova tentativa de fusão entre a Dish e a DirecTV (controlada pela AT&T), algo que foi tentado em 2003 e barrado pelas autoridades locais. As duas operadoras e DTH têm registrado perdas significativas de base. Só em 2018, foram quase 2,8 milhões de assinantes a menos. Os analistas avaliam que o movimento de concentração seria lógico pois criaria uma única empresa com 29 milhões de assinantes, com muito maior poder de barganha por programação, especialmente para a Dish, que não tem nenhuma alternativa de serviço de banda larga. Caso uma fusão aconteça, poderia haver reflexos no Brasil, onde a AT&T é controladora da Sky. Por aqui, a Anatel ainda não disse se a AT&T pode ser ao mesmo tempo controladora da da Sky e atuar no mercado de programação por meio dos canais da Time Warner (hoje Warner Media). Caso não permita a fusão, uma das soluções que a área técnica da Anatel indica é a alienação das ações da Sky pela AT&T, e a Dish seria uma potencial candidata.

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