Covid-19: aumento de tráfego da Netflix e Disney+ provoca mudanças na rede

O aumento do tráfego após o início da quarentena em função da pandemia do coronavírus (covid-19) mudou não apenas o perfil de consumo, mas o próprio fluxo do sistema que compõe a Internet. De acordo com especialistas da Nokia, o crescimento do consumo de vídeo over-the-top (OTT), videoconferência e videogames levou a arquitetura de rede a procurar rotas para atender à demanda. Especialmente com o tráfego se deslocando das redes de distribuição de conteúdo (CDNs) para os pontos de interconexão (peering) em plataformas de streaming como Netflix e Disney+ nos Estados Unidos e Europa.

Conforme explica o consultor de negócios da Nokia Deepfield, Guiu Fabregas, os caches para armazenamento de conteúdo permitem à provedora de conteúdo reduzir custos. O tráfego passa por uma menor quantidade de hosts, o que torna a experiência do cliente melhor, com maior qualidade de vídeo, por exemplo. Mas a pandemia fez a demanda explodir, e as CDNs não deram conta. "O tráfego de caches da Netflix aumentou 20% [comparado ao período antes da quarentena], mas parou nisso porque chegaram ao limite. O resto do aumento do tráfego veio da própria infraestrutura da empresa, com aumento de 101% no peering", disse ele durante evento online da fornecedora finlandesa nesta terça-feira, 12.

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O caso da Disney+ na Europa foi diferente. A companhia lançou a plataforma de streaming em plena crise da covid-19 em países como Espanha e Reino Unido. Geralmente, no início desses serviços OTTs, os caches e CDNs ainda não estão operando em totalidade. Mas a Disney adota outra estratégia, mais dinâmica. "Eles usam tecnologia própria para distribuir o conteúdo, gerenciando o quanto vem de cada CDN. Assim, podem mudar o tráfego entre as redes mesmo durante eventos ou picos de demanda. Às vezes, entre diferentes peers", explica Fabregas. De acordo com ele, a companhia utiliza as redes da Akamai e da Limelight Networks. 

Segundo o consultor da Nokia, o Disney+ abocanhou na Europa em apenas um dia 10% do total do tráfego de vídeo. Considerando apenas o tráfego de vídeo em peering, no entanto, a OTT foi responsável por 18% do consumo. Vale lembrar que a plataforma Disney+ está programada para lançamento no Brasil e em alguns países da América Latina em novembro. A Anatel tem tentado compromissos de medidas para lidar com o aumento de tráfego por parte das OTTs, que em troca pediram garantia da neutralidade de rede.

Videoconferência e games

No caso de videoconferência, a Nokia registrou aumentos de 300% a 400%, mas com picos de 700% em algumas redes. O caso mais emblemático é da plataforma Zoom, que acabou sendo adotada também por consumidores finais para além do home office. "Por conta disso, o Zoom fica com uso muito alto nos finais de semana, ao contrário de outras plataformas", diz Fabregas. Assim como a Netflix e Disney+, a companhia também tem investido em CDNs, além da infraestrutura da Amazon. 

No caso de games, entretanto, o tráfego não se dá apenas por conta das partidas online, mas também por conta do download dos próprios jogos. Isso inclui ainda atualizações e patches para corrigir eventuais defeitos. 

Segurança

O CTO da Nokia Deepfield (plataforma de gerenciamento de inteligência de rede da fornecedora finlandesa), Craig Labovitz, também chama atenção para um outro fator que acompanhou o aumento de tráfego: a cibersegurança. Segundo Labovitz, hackers tentaram atacar backbones e cores da rede com ataques de negação de serviço (DDoS).

"Tentamos monitorar o DDoS, e o crescimento disso foi uma tendência preocupante nas últimas quatro ou seis semanas", declara. "O aumento do DDoS é igual ou até maior que o volume de crescimento do tráfego", compara. A Nokia diz que está trabalhando próxima aos clientes para mitigar e defender as redes diante desse cenário. 

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