Negócios da Ciena no Brasil cresceram dez vezes nos últimos 18 meses

Não há dúvidas que os grandes eventos esportivos a serem realizados no Brasil nos próximos anos, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio de 2016, estão funcionando como um grande chamariz para empresas interessadas em fazer negócios no País. E foi de olho na necessidade das operadoras de aumentar a capacidade de suas redes para atender à grande demanda por dados durante esses eventos que o presidente e CEO da fabricante de soluções óticas Ciena, Gary B. Smith, desembarcou em território brasileiro esta semana.

Segundo o gerente geral e vice-presidente de vendas para América Latina e Caribe da Ciena, Fabio Medina, o trabalho com provedores no País já começou a render bons frutos: "os negócios no Brasil cresceram dez vezes nos últimos 18 meses", revela. "É o nosso mercado que cresce mais rápido, embora parta de uma base menor", completa o CEO.

São projetos de ampliação de capacidade de redes dos provedores para Copa do Mundo e Olimpíadas, área onde a Ciena já tem alguma experiência – nas Olimpíadas de Londres, grande parte da infraestrutura da British Telecom foi suportada por ela. "A nossa maior expertise é otimizar as redes de fibra que já estão implementadas e é nisso que estamos ajudando os provedores de serviço aqui no Brasil, multiplicando em muitas vezes a capacidade das redes implantadas sem que precisem investir em novas fibras", detalha Medina.

A Ciena acabou de entregar, no final de fevereiro, o projeto de ampliação de capacidade do babckbone ótico da Telefônica/Vivo de 40 Gbps para 100 Gbps utilizando soluções de tecnologia ótica coerente nas rotas que ligam as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte à saída para o cabo submarino no grupo espanhol na cidade de Praia Grande, no litoral paulista. "Entre o início e a conclusão do projeto, foram gastos três meses", estima Medina. A Ciena já está realizando upgrades de redes metropolitanas para 400 Gbps em nível mundial e já testou com sucesso a transmissão de 1 Tbps em laboratório. A fabricante é líder no mercado de soluções de transmissão ótica no mercado norte-americano e ocupa a segunda posição no ranking mundial, atrás apenas da chinesa Huawei.

O contrato entre a Ciena e Telefônica/Vivo, até o momento, é o primeiro a se tornar público, mas certamente não é o único. Smith, que tem uma agenda cheia de reuniões com operadores nesta semana, não revelou nomes, mas garante que já há bastantes projetos de ampliação de capacidade de redes de fibra já instaladas aqui no País. "Estamos no Brasil há mais de dez anos e o país está em um ponto de inflexão em que as operadoras brasileiras estão em um processo de upgrade substancial da infraestrutura, não apenas do ponto de vista de capacidade de rede, mas também de rede inteligente, com uma arquitetura de próxima geração", explica Smith. Segundo ele, particularmente no Brasil, o número cada vez maior de pessoas usando telefones móveis para acesso à Internet coloca pressão no core das redes e a previsão do CEO da Ciena é de que haverá um upgrade bem rápido dessas infraestruturas, ampliando para 100 Gbps e além. "No Brasil temos redes com 40 Gbps no core e 10 Gbps nas redes metropolitanas. Tipicamente os ciclos de upgrade vão de 3 a 5 anos, mas vamos começar a ver uma aceleração disso uma vez que a curva de preço da tecnologia vem caindo agressivamente. Então, acredito que veremos um (salto do) upgrade para 400 Gbps durante esse mesmo período em vez do upgrade para os 100 Gbps", diz Smith.

Cabos submarinos

Ampliação de capacidade de cabos submarinos é outro segmento de negócios que começou a crescer bastante para a fornecedora. "Nós nem estávamos no mercado submarino dois anos atrás, mas como somos pioneiros no desenvolvimento de tecnologia ótica coerente, temos agora 25% de market share nesse segmento e, na América Latina, essa participação passa dos 50%", comenta Smith sobre projetos para expansão da capacidade de cabos submarinos dos 2,5 Gbps (como haviam sido projetados há 20 ou 30 anos) para os atuais 100 Gbps com softwares de tecnologia coerente.

Virtualização

Outro ponto interessante destacado por Smith é que o movimento que começa a acontecer para virtualização das redes de telecomunicações. "Acredito que o futuro é que as redes sejam orientadas a software, agregando automação e inteligência, o que é importante para que provedores de serviço sejam capazes de deslocar capacidade de acordo com a demanda, dando flexibilidade às redes, e aproveitar para agregar valor e conseguir um melhor retorno sobre investimento com a oferta de serviços em nuvem para o mercado corporativo", conclui Smith.

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