Modelos OTT são inexoráveis no futuro da TV paga

A IBC 2015, principal evento de TV europeu, que acontece em Amsterdã, está sendo um momento de avaliação das experiências over-the-top (OTT) das próprias emissoras e canais de TV. Há alguns anos que o evento aponta como tendência inexorável a necessidade de a TV ir para a Internet. Este ano, há uma quantidade razoável de casos concretos sendo avaliados, em seus diferentes modelos.

Uma das experiências que foram discutidas é a da Discovery, com o DPlay, um serviço OTT comercializado em alguns países da Europa. Segundo o CEO da Discovery International, Jean-Briac (JB) Perrette, a experiência está sendo fundamental para a programadora entender como funciona o mercado de consumo. "Temos a experiência de relacionamento com os distribuidores, mas entender o consumidor é algo de que não podemos abrir mão", diz Perrette. Segundo ele, há questões de análise de dados, proteção de dados, billing e todo um novo modelo de negócio que inexoravelmente os produtores de conteúdo precisarão entender.

Ele comentou a declaração de Tim Cook, CEO da Apple, ao lançar a nova versão do Apple TV. Segundo Cook, o futuro da TV está nos apps, assim como o celular. "Claramente, a navegação na TV está na pré-história se comparada à evolução das outras coisas, como smartphones e tablets, e a TV tem que recuperar muito espaço na navegação intuitiva que os apps trouxeram. A diferença é que a experiência de assistir vídeo em uma tela grande tem um grande componente de passividade e impulso, e isso não vai morrer de uma hora para outra, porque é um hábito muito consolidado. Mas as novas gerações não têm esse hábito", disse o executivo da Discovery. A experiência da programadora com seu próprio OTT parte de um princípio que é não oferecer nada que não esteja disponível nas plataformas tradicionais. "Não podemos deixar nossos parceiros históricos excluídos desse processo". Na Europa, diz Perrette, o modelo de TV everywhere está mais avançado do que nos EUA porque houve um processo de aprendizado com os erros. "Também acreditamos no modelo de TV everywhere com as operadoras, mas é preciso ter um canal direto com o consumidor".

A operadora de DTH Sky do Reino Unido (nenhuma relação com a Sky brasileira) tem um dos produtos mais agressivos de TV por assinatura pela Internet, o Now TV, que oferece pacotes de TV para qualquer pessoa pela banda larga. "OTT não é só uma nova febre, mas uma plataforma que ajuda o mercado a crescer", diz Gidon Katz, diretor da Now TV, da Sky britânica. "O que temos de conteúdos é o que temos na Sky e temos esse cuidado porque não queremos criar um produto melhor que a Sky, para não canibalizar a nossa base".

David Pendleton é o COO da ABC, a TV pública australiana, que apostou fortemente no modelo OTT. Ele é categórico ao afirmar que os intermediários vão desaparecer no mercado de distribuição de conteúdos. "Começamos em 2008 oferecendo nosso conteúdo para catch-up na Internet e hoje temos 2 milhões de usuários assíduos", diz ele. "O modelo OTT é chave para passarmos a analisar o comportamento da audiência".

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