TV por assinatura tem de mudar discurso, diz deputado

Embora o deputado federal Paulo Henrique Lustosa não esteja diretamente envolvido na discussão em torno do novo destino da faixa de 2,5 GHz, sua participação no painel sobre WiMAX na ABTA 2009 talvez tenha sido a que mais chamou a atenção. Para o deputado, o setor de TV por assinatura tem que mudar a argumentação se quiser convencer o governo a destinar mais espectro na faixa de 2,5 GHz para a TV por assinatura.
Lustosa acredita que o setor tem que tentar sensibilizar o governo e a Anatel com o argumento de que o serviço triple play como um todo deve ser objeto de política pública, e não apenas a banda larga. "A defesa do setor de TV por assinatura tem que ser pelo triple play, e não pela banda larga", disse ele.
O deputado explica que a questão da banda larga na faixa está resolvida pela proposta da Anatel, e mais ainda na medida em que o WiMAX passe operar em FDD. Assim, mesmo na divisão proposta na consulta pública, operadoras interessadas em disputar a faixa poderiam adquirir tanto blocos das pontas (FDD) como os do meio (TDD) e escolher qual a tecnologia usar, porque ambos podem operar em TDD e FDD.

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O secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins, concorda. Ele explica que a consulta pública da faixa de 2,5 GHz foi baseada na crescente demanda pelos serviços de banda larga. "A consulta pública está mostrando o caminho onde nós queremos ir. As pessoas querem banda larga", disse ele, ressaltando que definitivamente não é a expansão da TV paga que está balizando a proposta da agência.
MMDS
Também estiveram presentes no painel duas fortes operadoras de TV paga que detém licenças de MMDS a partir da aquisição de outras empresas: a Sky (que adquiriu a TV Filme) e a Telefônica (que adquiriu a TVA). O desejo dessas operadoras, especialmente da Sky que não tem uma operação de banda larga, é claramente entrar no mercado de triple play. A faixa de MMDS seria usada para prestar serviços de banda larga através do WiMAX. "A variável mais importante é o espectro; não consigo ver um modelo de negócio de triple paly com 50 MHz", disse Roger Haick, diretor de novos negócios da Sky. "Embora tenha havido um bônus com a digitalização do MMDS, o mercado está mudando. A tendência é de demanda por mais espectro, e não por menos", reforça Marcos Bafutto, diretor de assuntos regulatórios da Telefônica.
Importante lembrar que existem diversas operações de WiMAX no mundo que usam menos de 50 MHz, como a própria Clearwire em alguns mercados e a Movilmax na Venezuela. MAs nenhuma delas presta serviço de TV por assinatura e muitas estão em estágios iniciais de operação, com poucos clientes e, portanto, com necessidades de espectro reduzidas. Nos EUA, a Clearwire tem 120 MHz de espectro na faixa de 2,5 GHz.

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