Mesmo com covid-19, Ericsson aumenta previsão global de assinaturas 5G

Mesmo com os efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus (covid-19), a Ericsson aposta em um crescimento no número global de assinantes 5G em 2020. Em evento online realizado nesta segunda-feira, 11, a fornecedora revelou que a previsão de 100 milhões de clientes na tecnologia até o fim do ano deve ser revisada para cima na próxima edição do Mobility Report, a ser publicada pela empresa no mês de junho.

No longo prazo (até 2025), a estimativa da Ericsson também foi alterada: de 2,6 bilhões na última projeção para 2,8 bilhões. As informações foram fornecidas pelo head de marketing estratégico da empresa e editor-executivo do Mobility Report, Patrik Cerwall. Ao fim de 2019, a fornecedora estimava 13 milhões de assinantes 5G em todo o mundo, com destaque para a demanda na Coreia do Sul e China.

Ao longo de 2020, o mercado chinês deve seguir como principal motor no número de clientes na tecnologia, avalia Cerwall – mesmo com o impacto gerado pelo coronavírus no país durante o primeiro trimestre. Já na Europa, os reflexos ainda vigentes de políticas de quarentena e o adiamento de licitações de espectro em alguns mercados devem impactar negativamente os números.

Vale notar que no Brasil, a possibilidade de adiamento do leilão 5G para 2021 já está sendo considerada pela Anatel, também por conta do impacto da pandemia na realização dos testes de campo na faixa de 3,5 GHz.

Mudanças de hábitos

Assim como já pontuado por demais players da indústria, as medidas de isolamento social adotadas por diversos países acarretaram em um deslocamento do tráfego de redes fixas de áreas corporativas para residenciais, avalia a Ericsson. Segundo a companhia, o tráfego fixo cresceu durante a pandemia, com alta média de 20%.

Por outro lado, a empresa também tem visto alta no uso de redes móveis: head da divisão ConsumerLab da Ericsson, Jasmeet Singh citou o Brasil e a Índia como exemplos onde o movimento é importante, visto que a penetração de redes fixas nos países ainda estaria aquém de mercados como os da Europa.

Segundo Singh, se o consumo de redes Wi-Fi cresceu em média 2,5 horas diárias durante a pandemia, no caso das redes móveis, houve acréscimo médio global de 1 hora diária no uso. A empresa também identificou alta no tráfego de redes 2G e 3G, uma vez que serviços de voz estariam sendo mais demandados durante o isolamento social.

De modo geral, uma das razões para o crescimento do tráfego (em redes móveis ou fixas) é o maior consumo de vídeo (incluindo videoconferências), uma vez que o uso da aplicação teria aumentado 87%, segundo a Ericsson. A companhia também percebeu um aumento de 40% no tráfego de dados relacionado com games.

Transição

Para o CEO da Ericsson, Borje Ekholm, tais mudanças devem representar um "novo normal" mesmo após a superação da pandemia – criando assim mais interesse pelo 5G assim que a tecnologia estiver disponível em novos mercados.

O executivo também rechaçou a percepção de que muitos clientes não estariam dispostos a pagar valores mais altos pelo novo padrão de conectividade. Segundo Ekholm, pesquisas da Ericsson indicam que o consumidor toparia pagar até 20% pelo 5G, mas desde que percebida uma "diferença real" do serviço frente o 4G.

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