Inadimplência continua preocupando o setor de telecomunicações

Apesar de comemorar uma certa resiliência durante a crise do coronavírus pela essencialidade dos serviços de celular e de Internet, o setor de telecomunicações vem reiterando que não é imune. Ainda que o cliente residencial não esteja sendo tão afetado neste primeiro momento, os efeitos macroeconômicos na redução da renda da população poderão trazer efeitos para o mercado. A inadimplência foi um tema especialmente sensível durante a live "Telecomunicações: A Agenda Política e Regulatória Pós-Covid", realizada pelo TELETIME nesta segunda-feira, 11.

"A inadimplência também nos preocupa muito. Agora não notamos isso, pelo contrário, está até com leve redução porque o cliente Pessoa Física está procurando pagar para evitar o corte. Mas nas Pessoas Jurídicas, os pequenos comércios e negócios, esses têm sido mais afetados, e eles pedem desconto, ajuda e eventualmente até cancelando para reativas apenas quando melhorar a situação", descreve o conselheiro da Abrint, Basílio Perez. 

No entanto, o executivo tem preocupação de que mesmo entre os clientes residenciais possa haver crescimento da inadimplência conforme perdurar a crise. "Se o mercado tiver um aumento substancial de desemprego, que já está começando, daqui a alguns meses teremos problemas porque a base aumentou, mas de repente eles não vão ter mais dinheiro para pagar", argumenta Perez.

O presidente do SindiTelebrasil, Marcos Ferrari, destaca que a profusão de projetos de lei em todas as esferas para assegurar a manutenção do serviço para inadimplentes representa outro risco para além do próprio impacto econômico. "São [PLs] bem intencionados, mas revelam uma má compreensão do setor, que não tem tarifa definida ou pública. Qualquer projeto desses gera incentivo à inadimplência, um incentivo moral", afirma. 

Investimentos

Vitor Menezes, secretário de Telecomunicações do MCTIC, diz que um aumento da inadimplência sendo está sendo percebido pelo governo. "É um cenário complexo, porque pode ter queda de fluxo de caixa que pode ser inadimplência, aumento de investimento e redução da recarga do pré-pago, que não é bem uma inadimplência", declara.

Marcos Ferrari avalia que é difícil fazer compromissos de investimento em longo prazo pela falta de clareza do cenário atual. "Quando a crise chegou em meados de março, é como se tivessem jogado poeira nos nossos olhos, não conseguimos enxergar co clareza", afirma. Ele cita as previsões de PIB negativo neste ano, atualmente em 4,11% conforme o boletim Focus, do Banco Central. Diz também que há espaço para a redução da taxa de juros. "Políticas de financiamento e investimento adequadas ao momento precisam ser adotadas. E políticas regulatórias, para gerar valor em curto prazo para o investidor gerar valor hoje", afirma. 

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