Para Economia, leilão não arrecadatório do 5G passa por qualidade dos projetos

O secretário de infraestrutura do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord, disse nesta terça, 11, durante o Seminário Políticas de (tele)Comunicações, organizado pela TELETIME e pelo CCOM/UnB, que ainda que a área econômica do governo esteja convencida da importância de um leilão de 5G que privilegie a ampliação da infraestrutura, "o governo não vai rasgar dinheiro", e por isso é fundamental que a Anatel apresente bons projetos para serem implementados como contrapartida ao que não for cobrado para o Tesouro no leilão.

Leonardo Euler, presidente da Anatel, enumerou durante sua apresentação no seminário os benefícios que a agência enxerga com a chegada do 5G, mas ressaltou o esforço de promover um leilão que não sobrecarregue os vencedores, apesar do volume recorde de espectro colocado à venda (3,7 GHz). Miriam Wimmer, diretora de telecomunicações do MCTIC, destacou que o leilão de 5G dialoga com toda a estratégia de transformação digital, IoT e inteligência artificial que estão sendo colocadas pelo ministério, o que faz do 5G um passo muito mais relevante do que apenas uma nova geração tecnológica na rede.

Já as empresas manifestaram posições cautelosas em relação ao leilão de 5G, Para Monique Barros, diretor de regulamentação da Claro, há uma preocupação sobre como serão calculados esses valores do edital, considerando que não existem modelos consolidados de exploração de 5G. ela também criticou o fato de haver blocos reservados para Prestadoras de Pequeno Porte (PPPs).

Leandro Guerra, da TIM, concorda. Para ele o grande desafio que o leilão de 5G traz é o da precificação, já não será mais uma lógica B2C. "Há no 5G uma lógica da verticalização", disse. Mas para ele existem ainda outros desafios, como a necessidade de coordenar diversas políticas públicas necessárias ao 5G, como a legislação de antenas, postes e direito de passagem. "Tudo precisa estar alinhado, disse.

A Vivo, por sua vez, mostra uma certa preocupação com a pulverização de mercado com a chegada de players regionais, sobretudo em relação ao uso do espectro que será destinado aos provedores regionais. "É preciso garantir que este espectro não fique ocioso", diz José Gonçalves Neto, diretor da Telefônica.

Mas a proposta mais ousada foi trazida por Carlos Eduardo Medeiros,vice-presidente da Oi. ele sugeriu que no processo de implantação de 5G poderia vir acompanhado de uma política que permitisse a aceleração do uso das aplicações, com uma espécie de subsídio sobre serviços prestados, a exemplo do que o governo norte-americano já aplica no fundo de universalização local. "Não é só rede, é preciso fazer as pessoas usarem a infraestrutura e os serviços".

José Roberto Nogueira, presidente da Brisanet, tem sido uma das vozes mais ativas em defesa do espaço para provedores de pequeno porte. ele não se mostra preocupado nem com as contrapartidas nem com o modelo de negócio do 5G. "A gente vai investir em fibra e o 5G é um complemento. Vamos par o modelo de banda larga fixa com 5G num primeiro momento", diz ele. Segundo o executivo, quando o 5G chegar o país estará fibrado. "Não haverá uma cidade no Brasil sem fibra, então o 5G já terá backhaul e o modelo estará viabilizado", aposta.

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