Ericsson vê possível impacto com vitória de Biden nos EUA e relação com China

A Ericsson completou o programa de retomada (turn-around) iniciado em 2017. A fornecedora sueca anunciou nesta terça, 10, em seu Capital Markets Day 2020, que retomou a lucratividade, entregando crescimento orgânico, e que está "no caminho para suas metas financeiras" para este ano. A razão disso é o aumento da demanda com o 5G. Mas há preocupações com "incertezas" ligadas aos Estados Unidos.

A Ericsson coloca que efeitos geopolíticos, incluindo as incertezas das disputas comerciais entre os norte-americanos e a China. A fornecedora ainda ressalta que há incerteza sobre "como a administração dos EUA vai mudar após o resultado da eleição presidencial de 2020 e como isso vai impactar a disputa comercial". O pleito teve a vitória do democrata Joe Biden em cima da tentativa de reeleição do atual presidente Donald Trump.

Outro ponto de risco está na relação comercial entre Suécia e China, após a decisão do órgão regulador sueco, o Swedish Post and Telecom Authority (STP), de excluir os fornecedores chineses – citando inclusive a Huawei e a ZTE – das futuras redes 5G. A entidade proibiu o uso de equipamentos dessas empresas em novas instalações de rede, dando o prazo até o dia 1º de janeiro de 2025 para a retirada de aparelhos chineses em infraestruturas existentes que possam ser utilizadas na tecnologia (como o core de rede 4G).

Resultados e metas

Em seu evento para investidores, a Ericsson anunciou que está seguindo para uma nova fase, de crescimento por meio de avanço incremental do negócio principal e aceleração no foco no segmento corporativo. A companhia afirma ter 116 acordos comerciais em 5G, com 69 redes em operação. A empresa dedicou 40 bilhões de coroas suecas (US$ 5,8 bilhões) para investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Confira o que a fornecedora sueca projeta:

  • As metas para 2022 permanecem, contudo: margem operacional de 12 a 14%, excluindo custos de reestruturação. 
  • No segmento de redes, a meta aumentou 1 ponto percentual por conta dos "ganhos de cobertura no mercado" – somente nos Estados Unidos, a Ericsson aumentou o market share em 5 p.p. em dois anos, passando a ter mais da metade (53%). Assim, a margem operacional esperada é entre 16 e 18%. 
  • Já em serviços digitais, por conta do aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, a margem deverá subir até 6 p.p., ficando entre 10 e 12%.  Nos serviços gerenciados, a margem aumentará apenas 1 p.p., ficando entre 9 e 11%. 

Para 2022 em diante, os planos de longo prazo para a margem de lucro antes de juros, impostos e amortização (EBITA) é de 15 a 18%, o que a Ericsson diz que pretende conseguir por meio de "melhora de atividades" do grupo. O foco em fluxo de caixa livre, desconsiderando possíveis fusões e aquisições, continua com meta de 9 a 12% das vendas. 

"Crescimento, assim como melhorias na margem bruta, conduzida por vendas de software e alavancagem operacional, serão os pontos de inflexão para alcançar esses essas metas de longo prazo", diz a companhia em comunicado.

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