Mastercard negocia embarque de app em chips de todas as operadoras brasileiras

A Mastercard está negociando com todas as operadoras celulares brasileiras para que seu aplicativo de m-payment seja embarcado em SIMcards a partir de 2012. Será o lançamento comercial da solução que vem sendo testada há um ano em São José dos Campos com 17 mil pessoas em parceria com a Vivo e o Itaú Unibanco. O aplicativo em questão permite que o usuário realize pagamentos com seu cartão de crédito através do celular. A Vivo, por ter participado do teste piloto, é uma das operadoras que com certeza adotará a solução. As demais estão em fases variadas de negociação, algumas mais adiantadas que outras. Em 2012, o aplicativo será embarcado também nos chips das operadoras Movistar na América Latina, que pertencem ao grupo espanhol Telefônica, o mesmo que controla a Vivo. A ideia é que a região sirva de ponta de lança para o produto, que será levado em seguida para o resto do mundo, explica o vice-presidente de plataformas inovadoras da Mastercard no Brasil e Cone Sul, Luiz Roncato. Paralelamente, estão sendo realizados testes com outro emissor em duas cidades brasileiras diferentes, mas seus nomes não podem ser revelados. E mais dois emissores iniciarão experiências em breve no País, afirma Roncato.

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O aplicativo ocupa aproximadamente 20 Kb de memória, o que é muito para um SIMcard, haja vista que algumas operadoras ainda trabalham com modelos de 64 Kb. O custo de um upgrade para modelos de 128 Kb ou 256 Kb é um dos fatores levados em conta na negociação das teles com a Mastercard. Outra questão considerada é que o app não pode ser instalado remotamente, via OTA (over the air). Ou seja, o usuário precisa trocar de chip. O obstáculo é minimizado por Roncato, lembrando que o churn médio no Brasil gira em torno de 20% ao ano. Em outras palavras: um quinto da base brasileira já troca naturalmente de chip anualmente. A Mastercard optou pela solução em SIMcard porque ela é acessível a qualquer aparelho GSM, de gama baixa a alta. "Quem atende a base da pirâmide consegue atender ao topo. A solução com SIMcard é simples, barata e permite alcançar a população bancarizada e não bancarizada", justifica o executivo. Quanto à interface, que no SIMcard não é muito atraente, Roncato lembra que ela pode ser alterada a pedido do banco emissor. Nada impede, por exemplo, que seja desenvolvido no futuro um app para iOS ou Android interligado ao sistema de mobile payment da Mastercard.

Descrição

Na solução da Mastercard é o consumidor quem inicia uma transação. Através do app, a pessoa escolhe o cartão a ser usado (podem ser cadastrados vários cartões na mesma carteira eletrônica), digita um código de identificação do estabelecimento comercial, o valor da compra e a sua senha. As informações são transferidas via SMS para um gateway de pagamentos móveis da Mastercard, o MPG (Mobile Payment Gateway), que faz a intermediação com a rede de adquirência conectada ao estabelecimento comercial. Uma das vantagens desse sistema é não demandar a troca das máquinas de POS. Os códigos de identificação de lojas visitadas recorrentemente podem ser salvos na memória do aplicativo para que o consumidor não precise digitá-los novamente.

Além de pagamentos a estabelecimentos comerciais, o aplicativo da Mastercar no SIMcard permite uma série de outros serviços, como a compra de créditos para pré-pagos, remessas internacionais, transferências de valores entre pessoas físicas etc. Esses serviços podem ser lançados gradativamente, conforme a demanda do banco emissor e a permissão da regulamentação. Por sinal, a facilidade de recarga de pré-pagos é vista por Roncato como um dos benefícios que deve atrair as teles a embarcar o app em seus SIMcards.

Os testes em São José dos Campos serviram para a Mastercard avaliar melhor sua solução. Roncato lista algumas das conclusões: "O SIMcard é extremamente seguro para transações financeiras. Não tivemos nenhum problema de segurança. E conseguimos estabilizar bem a comunicação via SMS".

NFC

A solução em SIMcard não é a única da Mastercad em pagamentos móveis. A empresa atua em várias outras frentes simultaneamente. No Brasil, por exemplo, conforme adiantou Mobile Time em setembro, a experiência da Paggo e da Cielo no Nordeste para pagamentos via celular usa um cartão Mastercard co-branded Oi e Banco do Brasil. No exterior, por exemplo, os testes com o Google Wallet utilizam cartões Mastercard e tecnologia de comunicação por aproximação (NFC, na sigla em inglês).

A Mastercard possui uma solução de pagamentos via NFC batizada de "PayPass", que na América Latina encontra-se em testes na Argentina e no Chile. Neste caso, porém, é necessário adaptar as máquinas de POS. "Aqui no Brasil estamos trabalhando o ecossistema. É preciso quebrar a inércia (para adoção do NFC)", comenta. Segundo Roncato, mais de um emissor brasileiro já tem cartões com NFC embarcado prontos para serem lançados a qualquer momento.

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