Futuro da TV passa pelo fim dos intermediários? O debate começou

A TV está enfrentando a Era da Internet? Essa foi a pergunta do painel de encerramento do primeiro dia do IBC 2015, que acontece esta semana em Amsterdã. Para Bruce Tuchman, presidente da AMC/Sundance International, a grande mudança será a eliminação dos intermediários e a revisão inequívoca do modelo tradicional de empacotamento da TV por assinatura. "A Internet trouxe uma nova dimensão de conveniência. As pessoas podem conseguir conteúdo de qualidade de mais alternativas e por preços mais baratos. Isso coloca muita pressão nos bundles, e as pessoas estão querendo conteúdos melhores", diz ele. Para Tuchman, essa pressão não é sobre as operadoras, que têm a banda larga como produto principal, mas sobre as empacotadoras e programadoras. "Assistir TV no modelo linear é um retrocesso para uma nova geração e para todo mundo que está assistindo os conteúdos nos serviços OTT", diz o executivo. A AMC é responsável por algumas das séries de maior sucesso nos últimos anos, como "Mad Man", "The Walking Dead" e "Breaking Bad".

O diretor de parcerias do Yahoo UK, Tom Toumazis, aponta que a saída para as operadoras de TV por assinatura tem sido a oferta de pacotes combinados. Mas para os radiodifusores, que dependem das receitas publicitárias, a briga é mais complicada. "Os valores da publicidade tendem a se alinhar com os da Internet, e o modelo também, e isso será difícil para os radiodifusores", diz ele. O Yahoo vai transmitir, pela primeira vez, um jogo da NFL (liga de futebol americano), gratuitamente, em todo o mundo, com o modelo de publicidade. A NFL é o principal produto da TV aberta nos EUA.

"Nos últimos cinco anos vimos um grande crescimento do vídeo na Internet, mas mesmo assim o broadcast foi resiliente até agora. Agora temos que ver como será o  comportamento daqui para frente, considerando que a Internet vai se tornar mais forte", diz ele. Para Toumazis, as emissoras de TV precisam entender que a audiência do futuro estará nos dispositivos móveis. "Quem não tiver um app de distribuição de conteúdo está morto. O futuro é combinar a oferta de publicidade com a análise dos dados do usuário. As TVs precisam se associar à Internet. Os dólares irão para vídeo e para o mobile", diz ele.

Para Michael Harrit, diretor de soluções de mídia da Sony Media, a revolução da TV está chegando pelas redes IP. "Hoje, além dos conteúdos HD, já temos condições de fazer transmissões ao vivo por IP, com qualidade. Isso elimina a emissora como intermediária, e essa será uma grande mudança no modelo da TV",  afirma o executivo da Sony. Erwin Jansen, presidente da Y&R Europa, ao dar a perspectiva do mercado publicitário para o debate, diz que a chave da migração das verbas publicitárias está no resultado. "O dinheiro irá onde o resultado for mais efetivo, e a Internet está aos poucos conseguindo isso. É claro que o futuro é digital".

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