Para Oi, compra da Nextel pela Claro se justifica pela disponibilidade de espectro

Em documento enviado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) após pedido de informações do órgão antitruste sobre a compra da Nextel pela Claro, a Oi avaliou que a negociação entre as duas concorrentes "se justifica pela disponibilidade de espectro em importantes regiões do Brasil". A empresa também entende que a transação trará ganhos de escala para a concorrente em função dos altos custos envolvidos na implantação da tecnologia 5G. A operadora não critica a operação, pelo menos na parte pública do documento.

A manifestação da Oi pode ajudar a refazer algumas pontes que ficaram danificadas nas últimas semanas. A Claro não viu com bons olhos os pedidos de Oi, Vivo e TIM para serem parte do processo de compra da Nextel no Cade e, nos bastidores, chegou-se inclusive a se especular sobre uma eventual retirada do apoio da Claro ao PLC 79/2016 por conta desta divergência. Seja como for, desde a semana passada as operadoras estão sinalizando à Claro que o pedido para ser parte não representaria uma oposição à fusão, mas apenas um acompanhamento.

Impactos

Dividida em duas partes, a manifestação da Oi foi enviada ao Cade entre os dias 31 de maio e 7 de junho. Na ocasião, foram mencionados impactos da aquisição sobre o mercado de telefonia móvel (SMP), fixa (SFTC) e no de construção, gestão e operação de infraestrutura para telecomunicações. Diversos trechos do documento são fechados e de acesso exclusivo ao Cade, conforme pedido da operadora ao órgão.

Sobre o SMP, a Oi classificou o mercado brasileiro como maduro e com uma dinâmica competitiva fortemente relacionada às inovações tecnológicas e ao acesso ao espectro eletromagnético. Para a empresa, a competição no segmento se dá "principalmente com as outras três grandes prestadoras móveis (Claro, TIM e Vivo) tanto em âmbito nacional quanto em São Paulo e no Rio de Janeiro". Já players como Nextel e também a Algar fariam pressão competitiva apenas em algumas regiões específicas.

"Na perspectiva da Oi, a aquisição da Nextel pela Claro se justifica pela disponibilidade de espectro que a Nextel detém em importantes regiões do Brasil, como São Paulo", argumentou a operadora, refletindo ponto posto como maior preocupação da TIM no processo. "Isto possibilitará à Claro ampliar sua oferta de serviços – principalmente no mercado de SMP, além de consolidar seus ganhos de escala frente à tendência mundial para consolidação no mercado móvel em função dos altos custos envolvidos na implantação da tecnologia 5G e provimento de conteúdos de alto valor nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro", pontuou o documento.

Sobre o mercado de telefonia fixa, a Oi notou se tratar de uma área onde "a Nextel não detém atuação relevante", mas observou que as empresas do segmento concorrem através de bundles de produtos. "A Embratel oferta serviço de linha fixa local por meio da rede da NET, sua afiliada, em áreas em que a NET presta serviços de televisão por assinatura", exemplificou. As duas empresas citadas também fazem parte do grupo Claro Brasil, ao qual a Nextel será integrada.

Ainda segundo a manifestação pública da Oi, o declínio do serviço fixo deve ser acentuado na medida que os investimentos em redes móveis avançam. "O aumento no número de usuários de celulares, dada a maior atratividade do serviço, inclusive decorrente da expansão da rede fomentada pela agência reguladora [Anatel], com a fixação de compromissos de abrangência nas licitações de radiofrequências, continuará a afetar adversamente o número de assinantes de linhas fixas e o volume do tráfego de linhas fixas locais", declarou.

Competição

Já na área de construção, gestão e operação de infraestrutura, a Oi pontuou que as gestoras de torres (ou TowersCos) já são as principais concorrentes das teles. "As TowerCos são as principais ofertantes neste mercado, considerando que elas adquiriram grande parte da infraestrutura de torres das operadoras, tanto em âmbito nacional quanto nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo". A operadora também classificou a competição no segmento como média. "As infraestruturas já estão estabelecidas, há um custo significativo para mudança, praticamente não há produtos substitutos e há limitação de espaço físico para implementação de novas estruturas". Vale lembrar que em argumentação onde solicitou participação como terceira interessada na análise concorrencial do negócio entre Claro e Nextel, a Oi informou ser cliente de ambas na área de serviços de construção, gestão e operação de infraestrutura de telecomunicações. (Colaborou Samuel Possebon)

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