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Para diretor da Copel, nível de modicidade tarifária no setor elétrico inibe a inovação

Diretor geral da Copel Distribuição, Marximiliano Orfali

As distribuidoras de energia poderiam prestar novos serviços se a regulação da modicidade tarifária do setor não fosse tão onerosa. Essa é a percepção do diretor geral da Copel Distribuição, Marximiliano Orfali. Ele participou nesta quarta-feira, 9, de painel no 5×5 TEC Summit, evento virtual que acontece ao longo desta semana.

Para o executivo, a adoção de tecnologias pelo setor elétrico e as possibilidades que se abrem com modelos de smart grids acabam restringidas pelo fato de as distribuidoras serem obrigadas a reverter parte da receita gerada em redução nas tarifas.

“Temos conversado com a Aneel pois hoje tem uma regra pela qual temos que converter 60% do faturamento para a modicidade tarifária. O que parece ser uma ideia interessante, você dividir com o consumidor o benefício que a rede traz, por outro lado nos inviabiliza muitas vezes de fornecer um novo serviço porque tem que dar parte do faturamento. Se fosse do lucro, a gente entenderia, mas do faturamento, inviabiliza”, afirmou.

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Segundo ele, com aumento de aplicações tecnológicas nas redes elétricas cresce o número de serviços diferentes da distribuição que poderiam gerar receita para a distribuidora. “Muitos serviços que virão, ainda nem imaginamos. Outros são mais óbvios, como gerir o consumo da iluminação pública nas cidades, reduzindo a intensidade na madrugada ou aumentando quando preciso. Mas tem o entrave regulatório”, ressaltou.

As distribuidoras poderiam ainda, previu, compartilhar a medição de consumo de gás e água, por exemplo, o que reduziria custos para as empresas desses setores. Mas, de novo, ele defendeu que não é possível fazer a conta fechar com as regras atuais de modicidade tarifária. “Nosso setor é extremamente regulado. E a forma como a Aneel lida é por incentivo. Então temos de ter incentivo”, concluiu.

Governo

Heron Fontana, superintendente de Smart Grids na Neoenergia, destacou que a regulação para sensoriamento de rede precisa ser aperfeiçoada para ampliar o benefício colhido com a modernização da rede. “São precisos incentivos e ajustes regulatórios. Por exemplo, a questão do reconhecimento da vida útil do ativo, quando isso entra na base de remuneração. Um investimento grande como esse pode levar quatro anos para entrar na remuneração. E a vida útil dele é menor que a vida útil regulatória”, afirmou.

No caso dos medidores inteligentes, a Aneel considera que este ativo só é depreciado após 13 anos, o que é muito tempo na visão dos executivos. “Existe um descasamento [regulatório] que se não for ajustado, acaba por dar mais insegurança para as distribuidoras investirem”, afirmou Fontana.

Caius Malagoli, diretor de Engenharia de Manutenção e Padrões do grupo CPFL Energia, sugere que a Aneel lance mão do fator X para trazer remuneração condizente com as necessidades de investimento das empresas do setor. E cobra mais atenção do governo para as possibilidades trazidas pela inovação em distribuição elétrica.

“Às vezes me parece que a responsabilidade para provar que vale à pena ter uma rede inteligente é apenas da distribuidora, sendo que o benefício é da cadeia inteira: da distribuição, da geração, da transmissão. Isso precisa estar numa esfera além da Aneel, que é no ministério, na Secretaria de Energia. Mas me parece que o tema não chega até ali”, afirmou.

O evento 5×5 TEC Summit é organizado pelos portais Tele.Síntese, Convergência Digital, Mobile Time, TELETIME e TI Inside, com a proposta de debater a modernização de cinco setores essenciais para a economia brasileira. O evento acontece nesta semana, diariamente, até 11 de dezembro. Amanhã, dia 10, a discussão será sobre finanças. Dia 11, se encerra com uma discussão sobre o impacto da tecnologia na indústria de entretenimento. Inscreva-se gratuitamente. As apresentações passadas, sobre os setores de governo, saúde e eletricidade já estão disponíveis.

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