Globo amplia investimentos e foca em modelo B2C, baseado em dados

O investimento do Grupo Globo de mais de R$ 200 milhões na ampliação dos Estúdios Globo no Rio de Janeiro é parte de uma decisão estratégica. A Globo inaugurou nesta quinta, 8, três novos estúdios, ampliando em mais de 50% a área de estúdios do maior complexo de produção de conteúdo da América Latina. Com os três novos estúdios, que somam 4,5 mil m², o complexo de produção totaliza 13 estúdios de gravação, com 12,5 mil m².

Segundo Jorge Nóbrega, presidente-executivo do Grupo Globo, os novos estúdios representam a ênfase em uma estratégia de grande transformação do grupo. "Mudamos de modelo focado em distribuir o nosso conteúdo através da radiodifusão ou através da TV paga, sem a mão dupla com o espectador, para um modelo B2C (business to consumer), que se relaciona com o consumidor. Achamos que o futuro está aí", disse o executivo à imprensa.

De acordo com Nóbrega, a Globo vem trabalhando na busca de uma inteligência de dados que permitirá "ter um relacionamento com a coletividade". O grupo, através de ações que pedem que o consumidor se logue às suas plataformas, já tem um conhecimento mais detalhado de 30 milhões dos "100 milhões de uns" que consomem diariamente seus diferentes produtos de mídia. Chegou-se a esse número após uma limpeza da base de consumidores logados, que chega a 70 milhões de acessos, para remover redundâncias. "Seremos uma Globo para cada pessoa. É um desafio de mudança muito grande, de trazer gente e tecnologia e operar de forma diferente o que a gente opera", disse.

A mudança pela qual o grupo passa levará pelo menos três anos, com investimentos anuais em tecnologia de R$ 1,1 bilhão, além de R$ 4,2 bilhões em conteúdo de entretenimento, incluindo conteúdo próprio, realizado com parceiros e da curadoria do grupo. "Vamos sacrificar uma parte do resultado operacional nos próximos três anos para financiar esta mudança", garantiu o executivo.

A oferta de conteúdo mais personalizado já é uma realidade hoje, com condições flexíveis para que as pessoas acessem os conteúdos. Como exemplo, Nóbrega cita a possibilidade de combinar a assinatura de diferentes produtos digitais: Globoplay, Telecine e Premiere. A este noticiário, o diretor geral do Globoplay, João Mesquita, confirmou que, por enquanto, apenas os três produtos digitais podem ser assinados diretamente do grupo, sem uma operadora de TV por assinatura. Ele diz, no entanto, que novos produtos serão ofertados em breve.

Comercial customizado

Jorge Nóbrega apontou também uma mudança na postura comercial da Globo, atuando como uma única grande empresa que une as diferentes mídias. A ideia é ter uma oferta cada vez mais flexível,  administrando a demanda dos anunciantes nos diversos espaços comerciais.

"Estamos em plena definição de novas regras e novas formas de vender publicidade. Tivemos mudança há poucos meses na área comercial e tendemos a ter uma área comercial única que poderá oferecer ao cliente a solução mais efetiva na combinação das plataformas, um modelo de maior flexibilidade de preços", disse. 

Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da TV Globo, completa que a ideia é entregar o consumidor que o anunciante quer, independente do produto. Atualmente, explica, o anunciante recebe um alcance muito maior do que realmente busca. Schroder diz que os modelos e as práticas estão sendo frequentemente repensadas no grupo. Como regra, o grupo não permite que um ator apareça em um comercial no slot do conteúdo onde ele atua. Agora, a emissora começa a testar uma mudança: é possível estrelar um comercial exibido no intervalo do conteúdo onde atua, desde que não seja "de cara limpa", mas, sim, encarnando o personagem. 

Conteúdo multiplataforma

Segundo Schroder, a decisão da ampliação do Estúdios Globo aconteceu cinco anos atrás, quando o grupo percebeu que sua infraestrutura operava com quase 100% de sua capacidade. "Vimos a chegada da Netflix e a possibilidade de produção para a Globosat e outras empresas do grupo", disse. 

A TV Globo vem lançando 60 títulos por ano só na área de entretenimento. Este ano, com uma maior entrega para a Globoplay, deve chegar a 72. "Precisamos de mais autores e de mais espaço para gravação", diz o executivo.

Com os novos estúdios, garante, a Globo não se fecha ao trabalho com produtoras parceiras. "Esta relação continua existindo. Não imaginamos reduzir a relação com o mercado", completa.

Este ano a TV entrega seis produtos originais para a Globoplay. A plataforma deve ganhar mais tempo de exclusividade sobre os conteúdos. Até agora, a janela da plataforma tem sido de um ano até o conteúdo estrear na TV aberta. Segundo Schroder, o prazo de exclusividade deve saltar para 18 meses ou até dois anos.

Jorge Nóbrega completa que não é mais possível pensar em conteúdo para uma única plataforma. Além disso, segundo ele, a Globo manterá exclusividade do conteúdo às suas plataformas. "Não faremos o que foi feito no passado nos Estados Unidos. Não venderemos para Netflix ou Amazon", diz, categórico.

1 COMENTÁRIO

  1. Tem duas direções que parecem opostas: "ser uma Globo para cada pessoa" e verticalizar a produção. De qualquer forma, que a iniciativa seja um sucesso.

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