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Oi pretende segregar operação com legado de cobre

CEO da Oi, Rodrigo Abreu

Além dos fluxos de receita novo, para começar a regularizar os resultados, a Nova Oi também precisará resolver o serviço e a infraestrutura de telefonia fixa. Como a empresa vai lidar com o legado é um ponto chave na estratégia, que contará com otimização e até segregação da operação, além do processo de arbitragem com a Anatel, incluindo questionamento sobre metas do PGMU, e o próprio final da concessão em 2025. 

“Estamos reestruturando a empresa para segregar toda a operação de cobre e para começar a desconstruir algo do mercado porque a telefonia vai desaparecer. Estamos segregando isso para dar foco possível para diminuir o custo”, declarou o presidente da Oi, Rodrigo Abreu, durante participação na live da XP Investimentos nesta quarta, 8. 

O objetivo é permitir com que a empresa fique focada na fibra, por meio da V.Tal como fornecedora da infraestrutura, e nos novos fluxos de receita com serviços digitais.

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Não ficou claro, contudo, como essa separação de fato aconteceria, já que a operação em si continuará sob o guarda-chuva da Nova Oi, pelo menos até o fim da concessão em 2025. A previsão do executivo, considerada “conservadora”, é que, conforme o andamento da Anatel, com discussão sobre a modelagem financeira, a janela de migração para autorização só seja possível ao final de 2023.

Arbitragem

O presidente da operadora enxerga também a arbitragem com a Anatel como uma etapa crítica. Ele argumenta que pretende mostrar que a concessão é insustentável “há bastante tempo”, e que por isso não teria como haver uma migração onerosa. “É obrigação do poder concedente garantir que, caso exista insustentabilidade, como competição com outros meios, a consequência de reduzir o ônus da concessão. As medidas já deveriam ter sido tomadas há muito tempo”, declara. 

Também no jogo está o equilíbrio econômico-financeiro. Abreu diz que, por conta da burocracia da Anatel, não foi possível, por exemplo, reajuste de tarifas quando foram solicitados. “Esses eventos têm um determinado valor; se ver a base da época com o reajuste, temos elementos a favor”, declara. 

Um terceiro elemento é a disputa do ônus das obrigações do Plano Geral de Metas para a Universalização. “A agência diz que temos R$ 3 bilhões de ônus, mas não tem sentido onerar se não era sustentável. Não faz sentido calcular o PGMU como se a concessão fosse sustentável, porque já não era. Tem um valor de vários bilhões de reais em jogo, e esse número ainda vai ser analisado com cálculos dos peritos.”

Com todos esses elementos, espera, poderá efetuar migração não onerosa. Em caso de valor favorável, a empresa espera reduzir dívidas, como a que tem com a própria Anatel.

Impacto financeiro

Após a venda de ativos, a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) da Nova Oi ficará mais baixa, na casa dos 20%. Abreu afirma que o serviço legado reduz a margem em “quatro ou cinco pontos percentuais”, mas que essa questão será resolvida por conta justamente do fim do contrato da concessão. Há ainda contratos com clientes B2B que envolvem a infraestrutura de cobre, até mesmo de conexão à Internet.

No sentido operacional, a Oi procura trazer mais redução de custos. “Já começamos no ano passado um processo muito intenso, consolidando centrais, trocando tecnologia, retirando alguns clientes de cobra e cobrindo algumas áreas com WLL, que é [a prestação do serviço fixo de telefonia] usando frequência móvel”, declara o presidente da tele. A utilização da tecnologia de telefonia fixa sem fio também acaba por ajudar nos custos pela redução de exposição do cobre aos roubos de cabo, que Abreu afirma trazer custos de R$ 100 a R$ 150 milhões na reposição da infraestrutura para a Oi.

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