Fibra e banda larga são mais importantes para Oi que leilão 5G, diz Ovum

O leilão de espectro 5G previsto para o começo de 2020 deve colocar a Oi diante de uma escolha estratégica importante. De acordo com relatório da Ovum sobre as perspectivas para o mercado de telecomunicações brasileiro, a empresa precisará decidir se mantém o foco dos investimentos em acesso à banda larga via fibra ótica ou se tenta competir de igual para igual com as concorrentes no certame do ano que vem. Na visão da consultoria britânica, a primeira alternativa deveria ser priorizada, nem que a venda da operação móvel seja necessária.

"A Oi gasta melhor um real investido em fibra do que um real colocado na telefonia móvel", argumentou o analista principal da Ovum na América Latina, Ari Lopes. "O cenário que se desenha é difícil e desafiador para a empresa. Ela ainda não saiu da recuperação judicial. Também não participou do leilão de 700 MHz [em 2014], o que representa um gap no 4G. Então a empresa ainda não está em sua situação normal, mas ganhou quatro ou cinco anos para pagar o que sobrou da dívida".

"Para começar 2020 comprando espectro para 5G mais o 700 MHz, que ela não comprou e vai ser colocado de novo, a Oi teria que gastar um recurso escasso, e depois em equipamentos, para continuar no jogo da telefonia móvel. Eles têm basicamente R$ 6,2 bilhões de reais em caixa [ao fim do primeiro trimestre], sendo R$ 4 bilhões vindos do aumento de capital. A não ser que os acionistas apoiem um novo aporte, a situação no leilão será difícil", diz ele, apostando na improbabilidade de recursos adicionais.

"O ponto é que a fibra é um lugar melhor para investir", prosseguiu Lopes. "A ampliação no aporte para cerca de R$ 7 bilhões ao ano já foi destinada parte para isso. Como resultado, as conexões FTTH cresceram quatro vezes, de 30 mil para quase 150 mil acessos. A base era pequena, mas mostra uma oportunidade. Com o backbone vasto, ao investir pesado em última milha a Oi pode recuperar parte do market share perdido", analisa o consultor. Entre maio de 2015 e maio de 2019, a participação da operadora na banda larga fixa passou de mais de 25% para 18%.

"Já o 5G é uma aposta de longo prazo. O próprio padrão não está pronto, as primeiras redes do Brasil devem sair no final de 2020 ou em 2021, com lançamento limitado em poucas cidades. Os usos mais revolucionários vão demorar mais três ou quatro anos para começar. Ou seja, será todo um período que a Oi teria que investir em acesso e core 5G para só depois começar ter retorno".

Diante do cenário, o analista da Ovum questiona se a venda da operação móvel não seria o caminho mais viável. "Óbvio que se aparecer um comprador tudo muda de figura, mas assumindo que não haja um para a Oi [inteira], se desfazer da operação móvel é o segundo melhor cenário. Se alguém tem interesse em entrar no mercado da América Latina, a Oi é a última e mais óbvia oportunidade".

Além de um eventual novo entrante, TIM e AT&T seriam opções mais lógicas para uma eventual venda da operação móvel, apesar de limitadores como concentração de mercado e endividamento da dupla. Outra possibilidade seria fatiar a rede móvel da Oi, vendendo o ativo para diversos compradores. Lopes ainda lembra que uma eventual aprovação do PLC 79/2016 poderia influir positivamente no valuation da operadora; por outro lado, aumentaria também a necessidade de investimentos em banda larga fixa, uma vez que é essa a condição para a conversão dos contratos de concessão da telefonia fixa. Espera-se para as próximas semanas a divulgação de um estudo estratégico pela Oi.

Já uma alternativa no sentido oposto ao do desinvestimento poderia envolver a TIM em um acordo de compartilhamento de infraestrutura. Para o analista da Ovum, a opção faria sentido considerando as características complementares da rede das duas empresas e a maior capacidade das concorrentes (Vivo e Claro) em alavancar crédito e realizar investimentos. Apontado como novo presidente da Oi a partir de dezembro, Rodrigo Abreu esteve a frente da TIM entre 2013 e 2016.

4 COMENTÁRIOS

  1. Então que venha Oi pra valer nessa banda larga de fibra que já começou bem, desbancando essa tal de vi…e cl…rs vergonha pra eles.
    Na torcida pela Oi fibra! E, que, é ilimitada, só assim pra eu tirar o chapéu.

  2. Tenho certeza que o futuro é a mobilidade e cada vez, menos fios e cabos. A Oi tem dois caminhos: o mais difícil, ficando com a Oi Móvel e sendo premiada no futuro ou o mais fácil que é vender a Oi Móvel o que a definhará lentamente ao longo dos próximos anos e acabará sendo vendida valendo bem pouco.

    • Como é que pode alguém, em sã consciência, querer comparar o que é mais vantajoso, pagar 70 reais por mês de internet fixa com gigabytes ilimitados, ou pagar 70 reais por semana pelos gigabytes mesquinhos das operadoras de telefonia móvel?

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