Eutelsat planeja testes em banda Ku para liberar 3,5 GHz para 5G

Foto: Pixabay

A operadora satelital Eutelsat planeja trazer ao Brasil um tipo de antena receptora da banda Ku que permite captar sinais de dois satélites simultaneamente e assim, dar maior flexibilidade para uma eventual migração da banda C. Segundo o diretor da empresa no Brasil, Rodrigo Campos, a ideia é aproveitar a nova direção da Anatel no sentido de adotar a migração do serviço de TVRO (TV parabólica) para a banda Ku e, com isso, liberar espectro da faixa de 3,5 GHz para as operadoras de celular usarem com o 5G.

"A gente tem ideias, estamos planejando fazer testes no Brasil com antena de banda Ku, mas utilizando dois satélites. Assim, teria mais satélites para serem usados caso a Anatel decida por migrar", declarou ele ao TELETIME nesta segunda-feira, 8. "Estamos propondo esse teste e, assim que tivermos viabilizado, vamos comunicar como serão executados, como será a instalação e quais serão os resultados", declara Campos.

Campos coloca que a solução das antenas de banda Ku traz vantagens para o usuário também, uma vez que são equipamentos "simples e baratos", com antenas de menos de um metro de diâmetro, como as utilizadas no serviço de DTH (TV por assinatura). Esse tipo de antena é comum em outros mercados, diz.

Embora declare que há problemas de logísticas para o equipamento, o diretor da Eutelsat assegura que é viável. "São equipamentos vindos de fora, mas é possível comprar isso em qualquer supermercado na Europa", diz. 

Preferência

O presidente da Anatel, Leonardo Euler, já se manifestou publicamente em favor de colocar a migração como opção em vez da convivência em 3,5 GHz com filtros LNBF, pelo menos por enquanto. "O que a gente tem visto é essa preferência [da Anatel], até por questões dos estudos que não foram concluídos com os filtros da banda C. Mas a tendência é apoiar a migração para a banda Ku", afirma. 

A própria Eutelsat se manifesta favorável à migração dos serviços de TVRO para a banda Ku. Segundo Rodrigo Campos, a empresa tem trabalhado com a Anatel no sentido de resolver os desafios técnicos para a limpeza da banda C. Uma solução ainda não foi encontrada, mas ele afirma haver discussões frequentes. 

O problema é que, enquanto não se define a abordagem para liberar a faixa de 3,5 GHz para as operadoras de celular, não seria possível chegar a um valor de indenização para as operadoras de satélite, como já foi feito em caso semelhante nos Estados Unidos. "Depois de discutir a parte técnica é que vamos ter planejamento para fazer a conta da migração e do investimento necessário", explica. 

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