Erro do mercado é competir por preço, afirma TIM

Pietro Labriola, COO da Tim

Ao comentar os resultados operacionais da TIM no primeiro trimestre em teleconferência realizada nesta quarta-feira, 8, o CEO da operadora, Pietro Labriola, lamentou o que chamou de insistência das concorrentes na competição baseada em preço e analisou que há falta de modelos de oferta inovadores no setor de telecomunicações. "O erro de nossa indústria é continuar a competir no preço", afirmou o executivo. "Precisamos ser mais inteligentes para deixar clara a diferença entre preço e qualidade".

"Nossa indústria é um ativo de missão crítica para o cliente, que não pode ter um dia sem conectividade móvel, então nós temos como transformar esse serviço. Todas as operadoras precisam focar em explicar melhor como ele é importante, e a propaganda por preço pode gerar alguma turbulência", prosseguiu Labriola, que retornou à empresa e foi apontado para a direção da TIM no mês passado. "Marketing também é achar novas formas de vender o que você já tem. Nós [a indústria] perdemos nosso DNA, mais ou menos paramos. Não tem inovação, não tem nova oferta", lamentou. Apesar de falar do mercado em geral nos últimos nove meses, fez uma ressalva: "exceto a TIM".

O executivo reforçou a crítica ao alertar para uma agressividade na dinâmica dos segmentos pós e pré-pago. No caso do primeiro, o entendimento é que apenas uma competidora tem atuado de maneira racional, em trilha a qual a TIM entende estar seguindo. As duas outras concorrentes, por outro lado, estariam assumindo postura bastante agressiva, sobretudo na captação de novos clientes. A situação seria ainda mais complicada no ambiente pré-pago, onde a TIM acredita ter a postura mais racional em oposição às três rivais.

"O market share que você tem que ganhar para compensar a perda de receitas [com a postura agressiva] é muito grande", argumentou Labriola. Tal paradigma ainda é um desafio para a TIM, que recrudesceu a guerra de preços no pré-pago com os planos Infinity há quase uma década, mas que tem como um dos principais objetivos hoje a migração de clientes pré-pagos para a modalidade pós-paga. No primeiro trimestre os acessos pós da companhia cresceram 11,4% (para 20,5 milhões), enquanto a base pré recuou 12,5% (para 34,5 milhões, ou 62,6% do total de acessos).

"Não quero comentar sobre outras operadoras, mas quando você vê a alavancagem do Ebitda de outro players, é claro que eles colocaram muito dinheiro talvez de uma forma que não foi das mais eficientes", prosseguiu Labriola. No caso da TIM, o Ebitda no primeiro trimestre cresceu 5,2%, para R$ 1,495 bilhão, com a margem Ebitda crescendo 1,2 ponto percentual, para 35,7%. A meta da companhia é atingir margem de 40% em 2020.

Cenário difícil

Além da concorrência agressiva, a estimativa de um crescimento do PIB abaixo de 1,5% para 2019 e o consenso de queda na atividade econômica no primeiro trimestre também preocupam a TIM, que prevê impacto sobre a confiança do consumidor. Ainda assim, a empresa entendeu que está superando tais obstáculos e classificou como forte seu resultado nos três meses iniciais de 2019, impulsionada por redução de custos, aumento no ARPU móvel e nos serviços fixos. "Nossos fundamentos sólidos nos colocam em posição boa para aproveitar a recuperação da economia, quando ela ocorrer", pontuou Labriola.

(Colaborou Bruno do Amaral)

1 COMENTÁRIO

  1. Essa guerra não irá perdurar por muito tempo. Há restrição de utilização de frequência 5G para TIM, Claro e Vivo em função do limite de ocupação espectral. Somente a Oi sobreviverá por tornar-se a única operadora a poder operar em banda larga sobre redes móveis na nova tecnologia – isso devido a uma condicionante regrada pela ANATEL.

    A Oi terá a faca e o queijo na mão para voltar a ser um monopólio no Brasil. Com a chegada do 5G e o aporte de capital chinês, reinará absoluta por absorver a quase totalidade dos serviços móveis brasileiros e ainda captar o público massivo que hoje é atendido por provedores regionais de internet.

    Cuidado! Uma empresa em recuperação judicial pode acordar muito em breve. Ainda mais com os privilégios para investir 2,1Bi em redes ópticas em troca de uma parte da dívida acumulada (que chegou a R$ 61Bi). O tempo mostrará que uma partida de xadrez, iniciada em 2009 com a fusão inconstitucional da Oi com a BrasilTelecom pode estar chegando ao seu "xeque-mate"…

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