Modernização do 2G e cobertura de áreas ultradensas são os próximos passos no Brasil

Os próximos passos das operadoras móveis nacionais será modernizar as suas redes 2G, deixando-as prontas para seu futuro desligamento ou para um reaproveitamento gradual do espectro por outras tecnologias mais eficientes, como o 4G. Outra tendência é o investimento em microcélulas para a cobertura de áreas ultradensas. Essas são algumas das expectativas do vice-presidente para América Latina da Nokia, Dimitri Diliani, que conversou com MOBILE TIME na semana passada, durante evento da empresa no Rio de Janeiro. O executivo comentou também o processo de consolidação do setor de fornecedores de rede, diante da recente aquisição da Alcatel-Lucent pela Nokia.

MOBILE TIME – Concluídas as vendas de equipamentos 4G nos grandes centros urbanos no Brasil, o foco dos fabricantes passa a ser a oferta de serviços para as teles?

Dimitri Diliani – Claro que serviços são muito importantes na nossa estratégia. Vamos continuar vendendo serviços sozinhos ou conectados aos nossos equipamentos. No Brasil, as vendas de 4G para a cobertura das grandes cidades já aconteceu. Mas fora delas ainda está aberto para os fornecedores. Além disso, no Brasil, como indústria, temos um grande legado 2G que as operadoras querem modernizar com single RAN. A ideia é ter uma infraestrutura capaz de ser trocada por software para LTE (4G) ou 3G.

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E há também novas tecnologias que estão vindo para o Brasil. Quando falamos de futuro, falamos de redes ultradensas. É o que há no Rio de Janeiro e em São Paulo. Mesmo depois de gastar todo o espectro, ainda haverá demanda. E as teles vão procurar novas formas de atendê-la. Um dos caminhos será com microcélulas em LTE. A operadora poderá ter macrocélulas de um fornecedor e small cell de outros. Vemos grande oportunidade no Brasil nesse aspecto, pois haverá exaustão de capacidade em áreas ultradensas.

Por fim, há a necessidade de modernização do core. Algumas teles vão comprar novos hardwares e softwares para isso. Outras vão para a nuvem: vão virtualizar o core.

O que pode ser virtualizado em uma rede celular?

Tudo menos o rádio pode ser virtualizado. Até as controladoras no futuro serão na nuvem. Mas o core vai ser a primeira parte a ir para a nuvem. E depois o OSS. E o IMS. Isso gera uma redução significativa de opex.

Quando as redes 2G começarão a ser desligadas na América Latina?

Temos discutido no mundo inteiro sobre desligar 2G. Algumas teles nos EUA querem desligar entre 2017 e 2018. Na América Latina, vejo de forma diferente: ainda há muitos devices que são 2G apenas, por causa do preço. Em áreas rurais tem gente que quer só voz, não dados. Essa migração de aparelhos precisa acelerar. Quando a sobra for pequena, vale a pena dar os terminais. Mas não sei quando isso vai acontecer na América Latina. Todas as máquinas de POS no Brasil são 2G, por exemplo. Há centenas de milhares delas.
Enquanto isso, estamos reduzindo o espectro usado em 2G e tornando a rede mais eficiente em todos os países da América Latina.

Um recente relatório da Ovum prevê que em alguns mercados talvez as redes 3G sejam desligadas antes daquelas 2G, exatamente por causa do legado de módulos de comunicação entre máquinas. Concorda com essa previsão?

Não vejo nenhuma operadora desligando 3G antes do 2G. Acredito que vão desligar primeiro o 2G e depois o 3G por questões de eficiência de uso do espectro, não ao reverso.

Quando teremos VoLTE lançado comercialmente na América Latina?

As teles estão testando. Assinamos contratos recentes na América Latina para essa tecnologia, um deles na Colômbia. No Brasil ainda não. VoLTE é uma tecnologia fantástica, que traz vantagens para os consumidores, como voz em alta qualidade. Mas precisa de cobertura para ter sucesso.

Qual o estágio do compartilhamento de redes celulares na América Latina? No Brasil isso começou para valer no 4G, certo?

Na verdade, no 4G brasileiro não houve um compartilhamento de rede propriamente dito, mas acordos para que cada operadora ficasse responsável pela construção da rede em determinados estados. Faz sentido e está funcionando muito bem. Na Europa, é um pouco diferente, as teles efetivamente compartilham equipamentos em cada torre. E nos EUA não existe compartilhamento de rede.

O que a Nokia espera do 5G?

Bom, o 4G vai continuar por mais 20 anos. O 5G será complementar. Será para áreas específicas, como M2M, Internet das Coisas etc. Não necessariamente o 5G servirá para aplicações para o consumidor final. Hoje para baixar qualquer vídeo com alta definição eu não preciso de 5G. Mas em aplicações nas quais é necessária baixíssima latência, será preciso uma nova tecnologia. O 5G não será focado tanto em velocidade de download.

A Nokia comprou a Alcatel-Lucent. Agora sobraram poucos grandes players tradicionais de equipamentos de rede no mundo. O processo de consolidação desse setor chegou ao fim?

Há sempre novos players aparecendo, mas não tiveram grande sucesso até agora. Os três grandes que restaram em rádio são Ericsson, Huawei e Nokia. E agora nós nos tornamos o maior de todos. Vemos a aquisição da Alcatel-Lucent como complementar, pois nos dá mais capacidade em pesquisa e desenvolvimento. Teremos o maior time de pesquisa e desenvolvimento do mundo em telecom. Vamos investir bastante em 5G, cloud etc. Mas, voltando à sua pergunta, não sei se é o final do processo de consolidação. Há outras oportunidades  no futuro.

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