"WhatsApp não é o fim da história", diz diretor da Telefônica

A recente inclusão da função de chamadas de voz no WhatsApp para Android provocou rebuliço entre operadoras ao redor do mundo. Não é para menos: o aplicativo de mensagens instantâneas é um dos mais populares da atualidade e conta com mais de 700 milhões de usuários. Na prática, o WhatsApp funcionará como uma operadora móvel virtual gratuita e mundial, sem ter investido um centavo sequer em rede e marketing, e sem ter qualquer obrigação regulatória – conforme destacado em recente artigo em MOBILE TIME.

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Mas não se trata do fim do mundo para as teles. O diretor de estratégia da Telefônica, Carlos Raimar, procurou acalmar um pouco os ânimos do mercado, durante painel no LTE Latin America, evento realizado nesta quarta-feira, 8, no Rio de Janeiro, quando o tema foi abordado. "WhatsApp não é o fim da história. Skype está aí há dez anos. Diziam que destruiria a nossa indústria, mas não conseguiu", comentou. E lembrou que as teles também geram receita com WhatsApp e qualquer outro serviço over-the-top (OTT), com a venda de planos de dados. Além disso, a própria Telefônica tem um serviço de voz sobre IP, o TU Go, com uma vantagem importante: é integrado com a sua rede, o que permite que funcione até mesmo em cobertura 2G, o que não é possível com serviços de terceiros OTT.

O assunto é polêmico e divide opiniões. O diretor de marketing da Ericsson para América Latina, Jesper Rhode, lembra que o WhatsApp é mais direto e rápido que concorrentes como o Skype, requerendo menos cliques para a realização de uma chamada."Se você multiplicar o número de usuários do WhatsApp pela sua conveniência, essa novidade (de chamada de voz) é uma bomba. As teles estão preocupadas, com certa razão", comenta.

VoLTE

Uma das saídas para as teles pode estar no lançamento de serviços de voz sobre LTE (VoLTE). Com ela, é possível oferecer serviços de voz com baixíssima latência e áudio em alta definição, muito superior àquela das chamadas atuais. O VoLTE já é oferecido comercialmente em alguns poucos países, como a Coreia do Sul. Na América Latina, por enquanto se limita a testes de laboratório de teles e fornecedores.

"VoLTE não é opção, é destino. Vai mudar o cenário dos serviços de voz", disse Raimar, da Telefônica. Porém, não há por enquanto uma previsão de quando o VoLTE chegará ao Brasil como uma oferta comercial. O executivo ressaltou que ainda não está claro qual seria o modelo de negócios. Uma das dúvidas é se caberia cobrar um preço mais caro pelas chamadas com áudio em alta definição. De alguma forma, as teles precisariam de retorno sobre o investimento nessa tecnologia.

Mas mesmo o VoLTE não é unanimidade entre as operadoras. Para o diretor de inovação da chilena Entel, Eduardo Duran, essa tecnologia vai se limitar ao uso corporativo, sem ganhar força junto ao usuário final. "A geração mais jovem nem usa o telefone para voz. Preferem serviços de mensagem OTT", comentou. "Nós (as teles) trabalhamos com ciclos de serviços de 18 meses ou mais. As OTTs lançam serviços novos a cada três meses. É difícil competir contra eles e ciclos de negócios tão curtos. É uma verdadeira avalanche. Nós falamos de VoLTE há três anos e ainda não lançamos. Por isso sou um pouco pessimista em relação a VoLTE", avaliou Duran, que também participou do LTE Latin America.

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