5G da Oi utiliza parte do espectro de 2,1 GHz dedicado, e não DSS

Diretor de marketing da Oi, Roberto Guenzburger

O início da operação comercial com 5G da Oi em Brasília nesta quarta-feira, 7, tem uma diferença em relação aos pilotos das concorrentes: não há compartilhamento dinâmico de espectro (DSS). Segundo explica ao TELETIME o diretor de marketing da operadora, Roberto Guenzburger, a empresa optou por dedicar uma porção da faixa de 2,1 GHz exclusivamente para a nova tecnologia. São 10 + 10 MHz de capacidade apenas para a quinta geração. "É um pedaço relevante da banda. Como não tem nenhum usuário [de 5G] hoje, é uma banda muito relevante", destacou.

A Oi optou pela faixa de 2,1 GHz porque o uso dela tem caído muito com a obsolescência das tecnologias legadas de 2G e 3G nos últimos anos, diz Guenzburguer. O espectro já estava passando por refarming para o LTE-Advanced (4,5G), agregando-se com portadoras de outras frequências.

Segundo o diretor, o fato de ser uma faixa dedicada, e não compartilhada com outras tecnologias e usuários, permite um desempenho melhor – o pico de velocidade destacado pela Oi é de 500 Mbps, mas a latência não foi divulgada. "Diferente de outros trials, o que a gente fez foi segregar a faixa de 2,1 GHz e direcionar só para o 5G, é uma subfaixa. Não vai competir com usuário de 3G, que é quem normalmente usa essa banda."

O foco inicialmente é nessa faixa de 2,1 GHz, apesar de estudos preliminares terem sido na faixa de 1,8 GHz (e para FWA). Não significa que será a única frequência: a operadora ainda está estudando se vai participar do leilão de 5G no ano que vem. "Ainda está em aberto", confirma.

Vale notar que, por não ser o padrão 5G standalone (NSA), o serviço de voz cai para o 2G, embora exista a possibilidade de utilizar a rede de dados como no VoLTE em 4G.

Infraestrutura

Roberto Guenzburger destaca que o uso da faixa de 2,1 GHz permitiu também uma cobertura mais avançada em Brasília, chegando a 80% da população, incluindo cidades-satélites. A escolha da capital federal foi justamente por conta da ampla infraestrutura de fibra já existente para atendimento a governo, residencial (FTTH) e corporativo. Com essa rede ótica, a empresa conecta os 300 sites instalados para ofertar o 5G.

O fornecedor escolhido para esta etapa é a Huawei, com quem a Oi já estava executando projeto piloto em Búzios (RJ). Não houve, porém, uma simples "mudança de chave" em nível de software para ativar a rede: foi necessário instalar equipamentos. "A gente fez um upgrade da rede. A Huawei, junto com a nossa engenharia, fez isso para atualizar a rede 4G para 4,5G, e também instalamos o 5G. Mas a antena é dedicada para a tecnologia".

No entanto, o diretor de marketing diz que a operadora está "testando outras soluções com outros fornecedores", e que as próximas localidades atualmente em estudos para a expansão do 5G incluem Rio de Janeiro e São Paulo. "A ideia é reforçar o posicionamento da marca, gerando diferenciação, inovação, e capturando cliente de mais alto valor – coisa que em Brasília tem muito, há muita gente com renda alta", declara Guenzburger. 

Usuário

Por sua vez, o ecossistema de smartphones também influenciou na decisão de escolher essa faixa para a reutilização na nova tecnologia. "A disponibilização de aparelhos [compatíveis] com 2.100 MHz, por questão de estratégia de outros países, é muito maior do que em 1.800 MHz, que não tem equipamentos disponíveis", diz. Por enquanto, apenas o Motorola Edge está disponível no País com essa compatibilidade, mas a promessa é de negociar com outros fabricantes, como Samsung, Xiaomi e até mesmo a Apple, caso ela venha a apresentar de fato um novo iPhone 5G na próxima semana. 

Como a utilização do 5G é disponibilizada para qualquer usuário da Oi, os planos continuam os mesmos, incluindo as franquias. Por prever que as maiores velocidades levem a um consumo maior de dados mensais, Guenzburger diz que há um foco nos planos mais altos, de 100 GB/mês, na comunicação em lojas, incluindo publicidade na área urbana de Brasília.

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